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Ecrãs para o passageiro estão a tornar-se mais comuns, mas muitos nem lhes tocam

Publicado a 22 de Setembro de 2026, 12h00  ·  Atualizado a 22 de Setembro de 2026, 13h43  ·  3 min de leitura

O essencial

  • 35% dos proprietários de veículos com ecrã dedicado ao passageiro nunca o utilizaram, segundo estudo J.D. Power
  • Foram registados 21,3 problemas relacionados com ecrãs para passageiros por cada 100 veículos
  • BMW oferece ecrã de 14,6 polegadas para o passageiro no novo Série 7, como equipamento de série

Muitos proprietários não utilizam ecrã

Os fabricantes continuam a multiplicar os ecrãs dentro dos automóveis, mas um estudo da J.D. Power mostra que esta tecnologia pode estar longe de ser tão utilizada como as marcas imaginam. Nos carros equipados com ecrã dedicado ao passageiro, 35% dos proprietários nunca chegaram sequer a utilizá-lo.

O ecrã diante do passageiro tornou-se uma das novas tendências no interior dos automóveis. Primeiro apareceu sobretudo em modelos premium, mas está agora a chegar a um número crescente de segmentos.

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A ideia é simples: enquanto o condutor está concentrado na estrada, o passageiro pode utilizar um ecrã próprio para navegar na Internet, controlar determinadas funções, consultar informação ou, em alguns casos, consumir conteúdos multimédia. O problema é que muitos passageiros parecem não sentir essa necessidade.

De acordo com o Tech Experience Index 2026 da J.D. Power, realizado nos Estados Unidos, 35% dos proprietários de veículos equipados com este tipo de ecrã afirmam nunca o ter utilizado.

E mesmo entre quem utiliza a tecnologia, há outro dado que merece atenção: foram registados 21,3 problemas relacionados com estes ecrãs por cada 100 veículos.

Mais tecnologia, mais possibilidades de falha?

Os números não significam que os próprios ecrãs sejam responsáveis por todas as falhas registadas nos sistemas de infotainment. No entanto, o estudo encontrou também uma maior incidência de problemas gerais de infoentretenimento em alguns veículos equipados com ecrãs para o passageiro.

É uma questão particularmente relevante numa altura em que os interiores dos automóveis estão a transformar-se rapidamente em verdadeiros centros tecnológicos.

Mais ecrãs significam mais funções, mas também mais software, mais componentes e mais interfaces que têm de funcionar corretamente e comunicar entre si.

Nem todas as marcas seguem a mesma receita

Nem todas as marcas seguem a mesma receita

A solução também varia bastante entre fabricantes. A BMW, por exemplo, já disponibiliza um ecrã de 14,6 polegadas para o passageiro no novo Série 7, onde faz parte do equipamento de série. No novo X5, a tecnologia é disponibilizada como opção.

A Mercedes-Benz segue uma abordagem diferente em alguns dos seus modelos mais recentes. Em vez de um ecrã interativo tradicional, utiliza um painel digital de 10,3 polegadas integrado no tablier, que funciona sobretudo como elemento visual. Ou seja, não existe ainda uma fórmula única para esta tecnologia.

O problema pode estar na utilidade

O problema pode estar na utilidade

A conclusão mais interessante do estudo não é necessariamente que os ecrãs para passageiros sejam uma má ideia. É perceber que a quantidade de tecnologia disponível num automóvel não garante que seja utilizada.

O estudo da J.D. Power envolveu 68.084 proprietários de veículos do ano-modelo 2026, entrevistados após três meses de utilização. A recolha de dados decorreu entre junho de 2025 e maio de 2026 e incluiu veículos matriculados entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

Num mercado onde os fabricantes competem cada vez mais pelo número de ecrãs, funções e sistemas digitais disponíveis a bordo, estes resultados levantam uma questão simples: será que os automóveis precisam realmente de mais tecnologia, ou de tecnologia que seja efetivamente útil?

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  464 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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