Nissan muda de estratégia para o novo Qashqai: SUV poderá não ser apenas elétrico

Outras Notícias

Kimi Antonelli mantém otimismo para GP de itália apesar de penalização

Kimi Antonelli enfrenta um desafio significativo no Grande Prémio...

Fernando Alonso fala sobre futuro a longo prazo na Aston Martin

Fernando Alonso continua a ser questionado sobre a sua...

Joey Logano correu com documento falso aos 10 anos para competir

Joey Logano revelou uma história surpreendente sobre a sua...

Partilhar

A quarta geração do Nissan Qashqai estava prevista para chegar em 2027 exclusivamente com motores elétricos, mas a marca japonesa estará agora a repensar os seus planos. A fraca procura por elétricos e a situação financeira da Nissan poderão estar na origem da mudança.

O Nissan Qashqai é um dos modelos mais importantes da história recente da marca japonesa. Desde o seu lançamento, em 2007, tornou-se numa referência entre os SUV compactos e ajudou a popularizar o conceito de crossover na Europa. Por isso, a Nissan sabe que não pode cometer erros com a próxima geração.

A quarta geração do Qashqai estava inicialmente prevista para 2027 e deveria representar uma mudança significativa na estratégia da marca, passando a apostar exclusivamente na propulsão elétrica. No entanto, tudo indica que os planos poderão ter mudado.

Segundo informações avançadas pela Reuters, citando fontes próximas do processo, o projeto do próximo Qashqai poderá ter sido suspenso ou estar a ser profundamente revisto, numa decisão relacionada com os elevados investimentos necessários para desenvolver um novo modelo elétrico.

Um modelo demasiado importante para correr riscos

A importância do Qashqai para a Nissan ajuda a explicar esta possível mudança de rumo. Desde 2007, o SUV japonês já ultrapassou 4 milhões de unidades vendidas na Europa, mantendo-se durante muitos anos entre os modelos mais populares do seu segmento. Mas a concorrência tornou-se muito mais forte.

Modelos como o Hyundai Tucson, o Volkswagen Tiguan e uma nova geração de SUV de fabricantes chineses estão a disputar diretamente os mesmos clientes.

Em 2026, o Qashqai estará inclusivamente a registar uma descida nas vendas, com uma quebra de 6,46% face ao período homólogo.

Isto coloca a Nissan perante um dilema: investir milhares de milhões numa nova geração elétrica ou adotar uma solução mais conservadora que permita manter o modelo competitivo durante mais alguns anos?

Qashqai elétrico pode ficar para depois

A estratégia inicialmente definida pela Nissan previa uma transformação completa da gama. A ideia passava por fazer com que Qashqai, Juke e Micra adotassem a propulsão elétrica como caminho principal para a próxima geração. O novo Micra já chegou ao mercado com essa filosofia, enquanto o futuro Juke também deverá seguir o mesmo caminho. O Qashqai seria o passo seguinte.

A quarta geração estava prevista para 2027, com um design inspirado no protótipo Nissan Hyper Urban e continuidade da produção na fábrica de Sunderland, no Reino Unido. Agora, porém, a Nissan estará a reconsiderar essa estratégia.

Os elétricos estão no centro do problema

Um dos principais motivos para a revisão do projeto estará relacionado com a evolução do mercado de automóveis elétricos. Embora a eletrificação continue a avançar na Europa, o crescimento das vendas não tem correspondido às expectativas que muitos fabricantes tinham há alguns anos.

Ao mesmo tempo, os construtores chineses estão a aumentar a pressão sobre as marcas tradicionais, oferecendo veículos elétricos cada vez mais competitivos em preço, tecnologia e autonomia.

Para uma Nissan que atravessa um período financeiro delicado, assumir um investimento muito elevado num Qashqai exclusivamente elétrico poderá representar um risco difícil de justificar.

A localização da produção em Sunderland também não ajuda. A fábrica britânica não beneficia de alguns dos incentivos destinados à produção automóvel dentro da União Europeia, o que poderá aumentar ainda mais a pressão sobre os custos.

A solução pode passar pelos motores de combustão

Perante este cenário, uma das possibilidades em cima da mesa será prolongar a vida da atual fórmula do Qashqai. Em vez de avançar imediatamente para uma nova geração exclusivamente elétrica, a Nissan poderá optar por renovar novamente o modelo atual, mantendo durante mais algum tempo versões com motores de combustão e eletrificação. Não seria uma estratégia inédita.

O Grupo Volkswagen e a Kia, entre outros fabricantes, têm adotado soluções semelhantes, prolongando a carreira comercial de modelos equipados com motores tradicionais enquanto o mercado elétrico amadurece.

Para a Nissan, esta opção permitiria reduzir o investimento necessário e, simultaneamente, manter disponível uma motorização que continua a ter uma procura significativa.

Um erro com consequências muito grandes

A decisão será particularmente importante porque o Qashqai representa uma parcela muito significativa das vendas da Nissan na Europa. Segundo as informações avançadas, o modelo representa cerca de 45% das vendas europeias da marca.

Assim, transformar o Qashqai num automóvel exclusivamente elétrico demasiado cedo poderia afastar uma parte dos atuais clientes.

Por outro lado, adiar a eletrificação também envolve riscos, numa altura em que a indústria automóvel está a acelerar o desenvolvimento de novas plataformas elétricas. A Nissan terá, portanto, de encontrar um equilíbrio entre investir no futuro e proteger as vendas no presente.

E, para já, tudo indica que o próximo Qashqai poderá não ser tão radicalmente diferente como a marca inicialmente tinha planeado.