A Volvo anunciou a chamada às oficinas de 40 323 unidades do EX30, devido ao risco de incêndio das baterias por sobreaquecimento: “Estamos a contactar os proprietários, e a informá-los dos próximos passos”, garantiu a Volvo. Trata-se de uma empreitada dispendiosa, de acordo com fonte conhecedora do processo, por estar esta operação avaliada em mais 160 milhões de euros, montante que não considera as despesas logísticas, nem as de reparação. De recordar que o EX30 foi o 11.º automóvel totalmente elétrico mais vendido na Europa durante o ano passado, de acordo com a analista e consultora DataForce, mesmo registando uma redução de 37% na procura, comparativamente a 2024, para 48 919 exemplares vendidos.
Segundo a notícia da agência Reuters, esta intervenção, que mancha a reputação de segurança da casa de Gotemburgo, envolve a substituição da bateria num modelo que é muito importante para a marca sueca, tanto pelo seu impacto no respetivo desempenho comercial (foi 4.º Volvo mais vendido em 2025, com 75 169 unidades comercializadas globalmente, menos 23% do que em 2024), como pelo facto de permitir que esta possa dispor de uma proposta capaz de competir num segmento que tem cada vez mais concorrentes chineses. Este recall, informa a Reuters, que cita fonte do construtor integrado no grupo chinês Geely, abrange todas as versões do EX30, automóvel que também foi muito prejudicado pelas tarifas com que a União Europeia (EU) decidiu penalizar todos os automóveis elétricos produzidos na China e vendidos no Velho Continente.

No EX30, as baterias são fabricadas por uma joint-venture participada pela Geely, a Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co., e a Volvo assegura que a fornecedora identificou e corrigiu o problema, e também fornecerá as células novas. A operação de troca dos módulos defeituosos não tem custos para os proprietários, que devem limitar os carregamentos a 70% da capacidade máxima até à intervenção técnica. Assim, de acordo com o fabricante, elimina-se o risco de incêndio.
Andy Palmer, veterano da indústria automóvel, que supervisionou o lançamento do Leaf da Nissan (2010), o primeiro automóvel elétrico produzido em grande escala, considera que este tipo de problemas tem mais impacto na Volvo do que noutra(s) marca(s), uma vez que a reputação em termos de segurança é fundamental para a identidade do fabricante escandinavo. E conhecem-se casos de proprietários que pretendem devolver os EX30 que compraram desde que tiveram conhecimento do problema – desconhecendo-se o número de unidades afetadas vendidas em Portugal.








