A Honda decidiu rever a sua estratégia de eletrificação, decisão que teve impacto direto na atividade da Sony Honda Mobility Inc. (SHM). Como consequência, foi cancelado o desenvolvimento dos automóveis elétricos da marca Afeela, incluindo o aguardado Afeela 1, cuja chegada ao mercado estava prevista para o final do ano.
O projeto, que resultava de uma parceria entre a Sony e a Honda, nasceu com a ambição de combinar o universo automóvel com os ecossistemas da tecnologia e do entretenimento. No entanto, a recente reavaliação estratégica do fabricante nipónico, que também incluiu a suspensão do programa Série 0, de modelos com motorizações 100% elétricas, comprometeu a viabilidade da iniciativa.
Em comunicado, a SHM explica que a decisão resulta de alterações na disponibilidade de tecnologias que seriam fornecidas pela Honda, consideradas essenciais para o desenvolvimento dos carros. “À luz desta alteração, determinou-se que não há um caminho viável para lançar os automóveis no mercado, tal como inicialmente previsto”, refere o documento.
Fundada em setembro de 2022, a Sony Honda Mobility tinha como objetivo desenvolver soluções de mobilidade de elevado valor acrescentado, combinando a experiência da Honda na engenharia automóvel com as competências da Sony nas áreas de software, sensores e entretenimento. O cancelamento surge poucos meses depois de a empresa ter anunciado o reforço do investimento na gama da Afeela durante a edição deste do ano da maior feira mundial de eletrónica de consumo, o CES de Las Vegas, onde também comunicou a intenção de expandir a oferta com um SUV, que surgiria no mercado apenas depois do Afeela 1.
O Afeela 1 apresentava-se como uma berlina elétrica premium, com preço inicial anunciado de 89 900 dólares no mercado norte-americano (à taxa de câmbio atual, o equivalente a cerca de €77 700). As reservas, que exigiam um depósito de 200 dólares, serão agora reembolsadas. Originalmente, a empresa planeava iniciar a comercialização do modelo no estado da Califórnia, mas, apesar deste revés, a SHM sublinha que o projeto não está encerrado, pelo menos de forma formal, mantendo-se em aberto a possibilidade de futuras colaborações entre as empresas, ainda que sem um calendário definido.








