Enquanto vários fabricantes continuam a apostar em ecrãs táteis para quase tudo, a Renault decidiu seguir outro caminho. A marca francesa considera os comandos físicos um princípio fundamental e não pretende eliminá-los da sua gama.
A corrida aos grandes ecrãs táteis transformou por completo o interior dos automóveis. Nos últimos anos, vários fabricantes substituíram botões, interruptores e comandos rotativos por superfícies digitais, muitas vezes apresentadas como uma solução mais moderna e minimalista. A Renault, contudo, não está convencida de que este seja o caminho certo.
A marca francesa pretende manter os comandos físicos nos seus automóveis, mesmo reconhecendo que esta solução representa um custo de produção superior.
A posição foi assumida por Glen Sealey, diretor-geral da Renault Austrália, numa entrevista à revista GoAuto. Para o responsável, os botões físicos fazem parte de um “princípio fundamental” da Renault, sobretudo quando estão em causa funções que o condutor utiliza frequentemente.

Um botão pode ser mais seguro do que um ecrã
O argumento da Renault é relativamente simples: se uma determinada função é utilizada regularmente, o condutor deve conseguir aceder-lhe sem ter de procurar dentro de vários menus num ecrã tátil. Alterar o volume, mudar de estação de rádio ou aceder rapidamente a determinadas funções são exemplos em que um botão dedicado pode revelar-se mais intuitivo. E existe também uma questão de segurança.
Ao utilizar um comando físico, o condutor consegue, em muitos casos, acioná-lo pelo tato, sem precisar de desviar os olhos da estrada. Num ecrã tátil, pelo contrário, pode ser necessário localizar primeiro a função pretendida e navegar por diferentes menus.
“A filosofia da Renault é manter acessos diretos através de botões sempre que possível”, explicou Sealey, admitindo igualmente que esta abordagem é mais cara. A marca considera, no entanto, que o custo adicional é justificado pela facilidade de utilização e pela segurança.
A Renault não está sozinha
A mudança de filosofia não é exclusiva da Renault. Depois de uma primeira fase em que os fabricantes pareciam determinados a reduzir ao mínimo o número de comandos físicos, algumas marcas começaram a reconhecer que os clientes nem sempre querem controlar tudo através de um ecrã.
A Volkswagen, por exemplo, já admitiu que foi longe demais na utilização de superfícies táteis e começou a recuperar comandos físicos em alguns modelos.
A Mercedes-Benz também reconheceu que a estratégia de eliminar determinados botões poderá ter ido longe demais, enquanto a Audi prepara o regresso de comandos físicos através daquilo que descreve como “Audi click”.
Também a Toyota tem mostrado abertura para recuperar interruptores físicos em determinadas funções.
Ecrãs sim, mas com bom senso
A estratégia da Renault não significa, naturalmente, uma rejeição da tecnologia. Os grandes ecrãs continuam a desempenhar um papel central nos seus modelos mais recentes e são particularmente úteis para funções como navegação, entretenimento, configurações do veículo e outras operações menos frequentes. A questão está em encontrar um equilíbrio.
Para a Renault, não faz sentido obrigar o condutor a entrar num menu sempre que pretende realizar uma operação simples que poderia ser executada através de um botão.
Esta filosofia é particularmente evidente no Renault 5 E-Tech, que combina uma interface digital moderna com vários comandos físicos no habitáculo.
As regras de segurança também estão a mudar
A posição da Renault surge numa altura em que a própria Euro NCAP reforçou a importância dos comandos físicos nos seus protocolos de avaliação para 2026. A organização passou a valorizar a disponibilidade de comandos físicos para determinadas funções de utilização habitual, precisamente com o objetivo de reduzir a distração ao volante.
É uma mudança significativa face à tendência que dominou a indústria automóvel durante os últimos anos.
Depois de uma verdadeira corrida aos ecrãs gigantes e às superfícies táteis, parece estar a surgir uma nova tendência: usar a tecnologia onde ela realmente traz vantagens e manter um botão quando um botão continua a ser a solução mais simples. Para a Renault, a resposta parece clara. Os ecrãs podem continuar a crescer, mas os botões físicos ainda têm lugar no automóvel moderno.

