O Grupo Renault apresentou um novo plano estratégico: chama-se “futuREady” e concentra-se, sobretudo, na eletrificação, na expansão internacional, e em plataformas tecnológicas mais modernas. Em grande destaque, a promessa de lançamento de 36 modelos inéditos até 2030, medida que visa manter o crescimento das marcas do conglomerado francês.
Depois do plano “Renaulution”, de 2021, que assentou na renovação da gama, e na recuperação financeira do grupo, a nova etapa mantém o produto como elemento central, mas dá maior relevância à experiência do cliente e à inovação tecnológica. Entre 2021 e 2026, o fabricante lançou 32 automóveis das marcas Renault, Dacia e Alpine. O plano agora apresentado eleva a ambição, prevendo 36 novidades até ao final da década, com o objetivo de conquistar o estatuto de “fabricante europeu de referência a nível global”.
A Europa continuará a ser o principal mercado do grupo, mas com a ambição de reforçar a sua presença em regiões consideradas estratégicas para o respetivo crescimento, como a Índia, a América do Sul e a Coreia do Sul. Dos 36 modelos previstos, 22 destinam-se à Europa (16 dos quais elétricos), enquanto 14 serão desenvolvidos para os demais mercados internacionais. A médio prazo, o grupo estima alcançar resultados financeiros consistentes, com uma margem operacional de 5% a 7%, e um fluxo de caixa médio para a divisão automóvel de, pelo menos, 1,5 mil milhões de euros/ano.
Cada marca do grupo manterá um posicionamento próprio dentro da estratégia global. A Renault pretende crescer com o lançamento de 12 novidades na Europa, e 14 nos outros mercados internacionais em que detém operações, mantendo a eletrificação como eixo central. No entanto, prevê continuar a apostar na tecnologia híbrida na Europa para lá de 2030, reforçando, simultaneamente, a oferta de elétricos, com base em plataformas novas. O objetivo passa por atingir dois milhões de automóveis vendidos anualmente até ao final da década, metade fora da Europa, com 100% das vendas europeias, e cerca de 50% das vendas globais, constituídas por veículos eletrificados.

A Dacia manterá a sua filosofia centrada na mobilidade acessível, baseada na relação entre preço, custo e valor para o cliente. A marca romena pretende acelerar a eletrificação, que deverá representar dois terços das vendas em 2030, e continuar a expandir a sua presença no segmento médio-inferior (C), com a ambição de que signifique cerca de um terço das vendas. Até ao final da década, a gama elétrica passará de um para quatro modelos.
Já a Alpine continuará a desenvolver a sua estratégia de crescimento com a próxima geração do A110, baseada na plataforma Alpine Performance Platform (APP). A gama incluirá, também, os novos A290 e A390, destinados a alargar a base de clientes, bem como séries limitadas (A110 R Ultime, por exemplo).
Transversal ao grupo será a modernização da rede de distribuição, com a introdução do conceito “software-defined retail”, que digitaliza os processos comerciais e utiliza gémeos digitais dos automóveis, para melhorar a eficiência, e reduzir custos em cerca de 20%.
A estratégia tecnológica do grupo baseia-se em eletrificação, software e novas plataformas modulares. Uma das prioridades passa pelo desenvolvimento da próxima geração de modelos 100% elétricos para o segmento C, com foco na eficiência, e na relação entre autonomia e custo. Para isso, será introduzida a plataforma RGEV medium 2.0, com arquitetura elétrica de 800 V, para permitir carregamentos ultrarrápidos. Até 2030, esta base dará origem a vários modelos destinados aos segmentos B+, C e D, incluindo berlinas, SUV e monovolumes.

A bateria utilizará um conceito cell-to-body, que prenuncia maior rigidez estrutural, menor peso, e menos 20% de componentes. A autonomia poderá chegar aos 750 km (WLTP) nas versões totalmente elétricas, e aos 1400 km nas variantes com extensor de autonomia, todas com emissões de CO2 inferiores a 25 g/km.
Os modelos baseados nesta plataforma serão também definidos por software (SDV), com cerca de 90% das funções atualizáveis remotamente. O sistema operativo será desenvolvido em conjunto com a Google e baseado em Android. O grupo está, ainda, a desenvolver o conceito de automóvel definido por inteligência artificial (AIDV), capaz de gerir funções como o infoentretenimento, as assistências à condução (ADAS) e os sistemas de controlo do chassis.
A plataforma RGEV medium 2.0 será desenvolvida, principalmente, em França, e deverá reduzir os custos em cerca de 40% face à atual geração de modelos elétricos. Nos futuros automóveis, dois tipos de química de baterias: as versões de maior densidade energética destinam-se a modelos de elevada potência ou longo alcance, enquanto as químicas mais acessíveis serão aplicadas em veículos compactos dos segmentos A e B, mantendo arquiteturas de 400 V.

O grupo está, igualmente, a desenvolver um motor elétrico de terceira geração sem recurso a terras raras, com 275 cv e eficiência de 93%. Produzido internamente, terá um custo cerca de 20% inferior ao da geração atual, e poderá ,modelos versões de tração dianteira ou traseira.
Apesar da aposta na eletrificação, os sistemas híbridos E-Tech continuarão a fazer parte da estratégia para lá de 2030, incluindo versões abaixo dos 150 cv, e aplicações fora da Europa.
O Grupo Renault sublinha, ainda, a importância das parcerias industriais para sustentar o seu crescimento global. Na Europa, pretende manter independência industrial e tecnológica, permanecendo aberto à produção de automóveis para outros fabricantes.
Entre os parceiros, destacam-se Nissan, Mitsubishi Motors, Volvo (Renault Trucks) e, mais recentemente, Ford. Um dos projetos previstos é a criação, na Índia, de um centro de produção e abastecimento para modelos Nissan, destinados tanto ao mercado doméstico, como à exportação. Na América do Sul e na Coreia do Sul, a parceria com a Geely deverá continuar a aprofundar-se. No total, o Grupo Renault prevê produzir mais de 300 000 automóveis/ano para estes cinco fabricantes até 2030 nas suas principais regiões industriais.









