Mais de uma década depois de ter saído das linhas de produção, em junho de 2015, o derradeiro dos 918 exemplares fabricados do superdesportivo da Porsche animado por uma motorização híbrida plug-in (motor 4.6-V8 de 608 cv, dois motores elétricos capazes de gerar 286 cv, potência combinada de 887 cv), o hoje “mítico” 918 Spyder poderá ter, enfim, um sucessor à vista. E o primeiro sinal disso mesmo foi dado por Antonella Kontio, responsável de comunicação da marca de Estugarda, em declarações ao site Motor 1: “Projetos emblemáticos e de exceção, como o 959, o Carrera GT, ou o 918 Spyder, fazem parte do nosso ADN. Continuamos a investir em automóveis desportivos de alta performance. Um exemplo disso mesmo é o recém-apresentado 911 Turbo S. Com 711 cv, o novo topo de gama, graças ao seu motor biturbo T-Hybrid, atinge níveis de performance de um superdesportivo. Além disso, estamos, atualmente, a avaliar vários conceitos de veículos no segmento GT e no dos hiperdesportivos. A nossa decisão será baseada nos desejos dos nossos clientes, que são sempre o nosso foco”.
Certo é que, após um ano de 2025 de má memória (quebra global das vendas na ordem dos 10%, em boa parte motivada pela retração de 26% da procura pelos seus modelos na China, e pelo retrocesso registado também na Europa, nesse caso muito devido à supressão, da sua oferta europeia, das versões com motores térmicos do Macan, e dos 718 Boxster e 718 Cayman – a não ser nas muito exclusivas, e dispendiosas, variantes 718 Spyder RS e 718 Cayman GT4 RS), a casa de Weissach está a trabalhar afincadamente para recuperar dessa difícil situação. Em desenvolvimento está já um novo Macan animado por motores de combustão interna; a família 718 também deverá regressar com versões a gasolina, a par das totalmente elétricas há já algum tempo confirmadas para a nova geração; e tudo indica que está a ser ponderado o lançamento de um SUV inédito, também animado por motores de combustão, com três filas de bancos, a posicionar acima do Cayenne.






Mas o alargamento do portfólio poderá não ficar por aqui. Para voltar a encher os seus cofres, a Porsche pondera algo que sabe fazer como poucos, isto é, lançar modelos (ainda) mais lucrativos, como admitiu, durante a conferência de imprensa anual do construtor germânico, o seu novo CEO, Michael Leiters, que substituiu no cargo, a 1 de janeiro último, Oliver Blume: “Estamos a ponderar o alargamento da nossa oferta de produtos, a fim de crescer em segmentos com margens mais elevadas. Para tal, estamos a analisar modelos e derivados a posicionar acima dos nossos atuais desportivos de duas portas, e acima do Cayenne”.
No caso dos desportivos, esse é um papel que poderia muito bem ser desempenhado por uma eventual versão de produção do Mission X, mas numa configuração substancialmente distinta da original, pelo menos no que à motorização diz respeito. Ou não tenha o mercado vindo a demonstrar a reduzida apetência dos clientes deste género de proposta para adquirir automóveis deste calibre totalmente elétricos – mesmo que com cerca de 1500 cv, para uma relação peso/potência de 1 kg/cv, como é o caso do protótipo revelado em 2023 pela marca de Zuffenhausen. Varios construtores ponderaram tal hipótese no passado, mas recuaram mais recentemente, sendo sido exemplo a Lamborghini, que não abdicou dos motores a gasolina nos novos Temerario e Revuelto, ou a McLaren, que também se mantém distante da eletrificação total, sendo a exceção a Ferrari, com o novo Elletrica, cuja aceitação está ainda por conhecer.
Por isso, se um eventual Porsche a posicionar acima do 911 receber luz verde para passar à produção, quase certamente recorrerá aos serviços de um motor a combustão, mais ou menos eletrificado, e o próprio Michael Leiters afirma que a marca está a “prolongar a vida útil dos seus motores de combustão e das ofertas híbridas”, acrescentando que na agenda para 2026 estão previstas “novas e emocionantes derivações” de modelos já existentes, muito possivelmente, um novo 911 GT2 RS. Agora, se na génese desse putativo hiperdesportivo estará, ou não, o Mission X, é uma questão de mais difícil resolução: por um lado, aproveitar o que já existe poderá ajudar a encurtar o tempo de desenvolvimento, logo, apressar a sua chegada ao mercado; por outro, muito trabalho haverá a fazer para que uma base criada para receber motores elétricos possa acolhe um motor a gasolina. Mas que os indefetíveis dos desportivos, em geral, e da Porsche, em particular, terão razões para sorri, disso parece não haver grandes dúvidas.














