Depois de apresentado o iX3, o primeiro membro da sua nova família Neue Klasse, de automóveis 100% elétricos, a BMW acaba de revelar o i3, a berlina assente na mesma plataforma. Em muitos domínios, do design à tecnologia, dá a conhecer, no essencial, os argumentos da oitava geração do BMW comercialmente mais bem-sucedido de sempre, e essa será a tendência daqui por diante: na agenda da marca, até ao fim de 2027, entre modelos totalmente novos, e os que serão “apenas” atualizados, está previsto o lançamento de 40 novidades (ainda este ano chegarão a quinta geração do X5, e a primeira revisão da sétima “encarnação do Série 7) – e, em todas elas, sem exceção, encontrar-se-ão soluções estreadas na segunda geração do iX3, do Panoramic iDrive no tablier, na base do para-brisas, de extremo a extremo, à sexta geração do sistema elétrico eDrive, com arquitetura de 800 V, capaz de incrementar em até 30% a autonomia e a velocidade de carregamento das baterias, com células cilíndricas em vez de prismáticas.
Para já, apenas são revelados dados da versão 50 xDrive, que se posicionará no topo da respetiva gama, e tem início de produção na nova fábrica iFactory da marca da hélice, em Munique, agendado para agosto, por forma a que as primeiras entregas possom acontecer em outubro. Com um motor por eixo, o traseiro, síncrono, com 326 cv, é o que, preferencialmente, faz mover o i3 50 xDrive, entrando o dianteiro, assíncrono, de 167 cv, em ação sempre que as condições de condução assim o exigem, seja em termos de performance, seja em termos de comportamento, já que lhe cabe assegurar não só a tração integral, como um rendimento combinado de 469 cv e 645 Nm. Já bateria, com química NMC, e 108,7 kWh de capacidade, permite anunciar uma autonomia de 900 km no ciclo combinado WLTP, e está apta a receber carregamento rápido até 400 kW, para que seja possível, em meros dez minutos, repor 400 km de autonomia. Em corrente alternada, carregador de bordo de 11 kW de série (22 kW em opção), e tampa da tomada de carregamento elétrica, que abre e fecha de forma 100% automática – no primeiro caso, após a deteção da proximidade da tomada de carga; no segundo, após a remoção do cabo de alimentação.
Com 4,76 m de comprimento, 1,87 m de largura, e 1,48 m de altura (não foi anunciada a capacidade da mala, apenas que, sob o capot, existe um frunk, com 31 litros de capacidade), o i3, tal como o iX3, está equipado com uma bateria com mais 26 kWh de capacidade do que a que montada no i4, instalada sob o piso do veículo, o que a torna num elemento estrutural, por aumentar a rigidez, otimizando tanto o conforto como a dinâmica. Ao mesmo tempo, como em todos os Nueu Klasse, quatro “supercérebros” controlam o funcionamento de tudo no automóvel: o chamado “Heart of Joy”, unidade de controlo que atua coordenada com o Dynamic Performance Control, para adaptar, rapidamente, todos os parâmetros dinâmicos do automóvel (direção, motores, recuperação de energia, travagem, etc.), levando em conta os modos de condução, que intervêm, de forma integrada, na gestão dos diversos sistemas, e na apresentação tanto do ambiente interior, como dos monitores de bordo. De acordo com a BMW, o sistema tem tanto poder computacional, e é tão capaz e rápido, que 95% das travagens dispensam o recurso aos discos, por serem realizadas apenas por ação dos motores elétricos – sendo que maior capacidade de regeneração de energia representa mais eficiência, e, sobretudo, mais autonomia!






Indesmentível será que o i3 exibe um estilo que dificilmente será consensual: a grelha do tipo duplo rim, adotado em 1933, no 303, ganha novas formas novas, que contrariaram a tendência recente de serem cada vez maiores e mais verticais, como no Série 4, de 2020, no Série 7, de 2022, e no XM, de 2023. E mesmo que os automóveis 100% elétricos dispensem a vertente funcional componente, ainda assim, este mantém o estatuto de elemento de design diferenciador e identitário num segmento cada vez mais povoado, também por poder ser iluminado, e surgir combinado com a nova interpretação do “nariz do tubarão” dos BMW. Os puxadores das portas encontram-se dissimulados na carroçaria, opção que beneficia a aerodinâmica, mas a China decidiu proibir a partir de 2027.
No habitáculo, mantém-se Panoramic iDrive, estreado no iX3, que muda muito a apresentação do tablier, por combinar o Panoramic Vision (informações projetadas na base do para-brisas, em monitor montado de extremo a extremo…), o ecrã central tátil de 17,9’’ (no i3, direcionado para o condutor) e o head-up display 3D. O sistema operativo é o BMW Operating System X.
E a apresentação do i3 não abre a porta apenas à geração nova do Série 3. A BMW também prepara a introdução do iM3, derivação desportiva que estreia o M eDrive, baseado na sexta geração do sistema elétrico estreado no iX3. Com quatro motores elétricos, um por roda, para comando individual da repartição do binário, tanto nas acelerações, como nas desacelerações/travagens, o sistema permite o desacoplamento do eixo dianteiro (a eletrónica gere o funcionamento de tudo), o que faz com que o veículo possa ser um tração traseira, o que beneficia a eficiência (logo, a autonomia), se a condução não exigir quatro rodas motrizes. No topo de gama, e no primeiro M elétrico, bateria com mais de 100 kWh de capacidade, e potência capaz de transpor a fasquia dos… 1000 cv!












