A viver um momento de acentuado crescendo de popularidade na China, os automóveis elétricos com extensor de autonomia (REEV – Range Extended Electric Vehicles), em que um, ou mais, motores elétricos são os únicos responsáveis por fazer mover as rodas, tendo o motor de combustão como única missão recarregar a bateria quando a respetiva carga se esgota, nunca foram, propriamente, muito comuns na Europa. E os poucos que propuseram a tecnologia também estiveram longe de ser um êxito.
O mais emblemático deles terá sido, porventura, o BMW i3, produzido entre 2013-2024, embora a derivação REEV tenha sido descontinuada com a chegada da atualização que o modelo conheceu em 2019, e a introdução de uma bateria com maior capacidade nas variantes exclusivamente elétricas. Não tanto pelo seu desempenho comercial (ainda assim, deveras interessante para os volumes de vendas que os 100% elétricos então registavam), mas por ser, hoje, por muitos considerado como um automóvel bastante à frente do seu tempo, e a versão com extensor de autonomia uma das mais práticas e interessantes, pela sua eficiência energética, e por não padecer dos constrangimentos que ainda hoje caracterizam este género de proposta (leia-se: autonomia, tempos de recarga da bateria, e disponibilidade da infraestrutura de carregamento em determinadas regiões).
Deste modo, no Velho Continente, com a saída de cena do Mazda MX-30 do mercado europeu, poucas mais opções restam nesta matéria, atualmente, do que o B10 e o C10 da Leapmotor. Mas, também por via do afrouxamento das regras, por parte das autoridades europeias, no que respeita à proibição de venda de automóveis na região com motores térmicos a partir de 2035, é bem possível que este estado de coisas venha a sofrer alterações significativas.
E, caso tal venha a verificar-se, um dos principais protagonistas pode muito bem ser a marca chinesa de que a Stellantis detém 20% do capital (51% no caso da parceria criada para os mercados de exportação). Isto porque, segundo avança a Autocar, o consórcio ítalo-francês está a estudar a possibilidade de introduzir em alguns dos seus modelos (nomeadamente da Citroën, DS, Fiat, Peugeot e Opel) a tecnologia de extensão de autonomia desenvolvida pela sua homóloga asiática (rumores havendo de que também a Renault está a avaliar o lançamento de REEV numa altura em que se encontra a desenvolver uma nova plataforma modular para os segmentos intermédios do mercado).
Quem o afirma, em declarações à publicação britânica, é o próprio CEO da Leapmotor, Tianshu Xin: “O extensor de autonomia é uma boa tecnologia, e, sim, estamos a explorar as possibilidades de utilizá-la em outros portfólios”, sem deixar de sublinhar que essa é apenas uma das várias hipóteses que estão a ser consideradas no domínio da partilha de tecnologia entre os dois fabricantes, cujas ofertas, presentemente, nada têm em comum. O mesmo responsável já anteriormente tinha elogiado a tecnologia REEV como um passo crucial no caminho da Europa para a eletrificação, apelidando-a de “uma boa solução provisória”, quando a adesão aos automóveis totalmente elétricos continua aquém do previsto, e desejado, e a infraestrutura de carregamento a ser desenvolvida.
Ao que tudo indica, e tanto mais que até existe, já, uma substantiva, e assumida, partilha de componentes entre inúmeros modelos das diversas marcas da Stellantis, não deverá ser tarefa por demais complicada adaptar a tecnologia REEV da Leapmotor por forma a ser aplicada naqueles que têm por base as plataformas CMP (Alfa Romeo Junior, Fiat 600, Jeep Avenger, Opel Mokka, Peugeot 208, entre outros), STLA Medium (DS Nº 8, Jeep Compass, Peugeot 3008/5008, Opel Grandland) ou Smart Car (Citroën C3/C3 Aircross, Fiat Panda, Opel Frontera). Nas palavras do executivo chinês, a partilha de soluções técnicas “foi uma das razões que nos levou a fechar o acordo entre a Stellantis e a Leapmotor: encontrar sinergias através da utilização da tecnologia uma da outra”, acrescentando que “a partilha de plataformas é uma das oportunidades que estamos a explorar”, o que permite antever que existe margem para que os futuros modelos da Leapmotor no mercado europeu utilizem uma das plataformas da Stellantis, algo que estaria em consonância com a estratégia do construtor chinês, de melhor adaptar os seus produtos às exigências, necessidades e gostos locais.








