Tempos conturbados os atualmente vividos no grupo Mercedes-Benz, com o ano de 2025 a encerrar com uma queda de 9% das suas vendas a nível global face a 2024, para cerca de 2,16 milhões de automóveis. Mas, curiosamente, e não obstante toda a contestação de que tem sido alvo Ola Källenius por parte de vários acionistas, a vendas da submarca desportiva Mercedes-AMG cresceram 7%, e as do Classe G foram “tão só” as melhores de sempre, em quase meio século de carreira.
Desempenhos que, de algum modo, poderão servir para validar a tese defendida pelo presidente do construtor de Estugarda, quando implementou a estratégia que definia uma maior aposta nos modelos mais exclusivos, e com superiores margens de lucro, em detrimento daquela que assentava em grandes volumes de produção, naturalmente assegurados por propostas de preço mais acessível, e menor rentabilidade. Mais dados que tendem a apontar nesse sentido: os mais luxuosos e dispendiosos modelos de topo asseguraram 15% do total das vendas; a Mercedes-AMG viveu um dos seus melhores anos de sempre, com nada menos do que 145 000 entregas a clientes; e um em cada três Classe S vendidos, a nível mundial, foi a versão da Mercedes-Maybach do topo de gama da casa da estrela (que, a 29 de janeiro, conhecerá a sua mais profunda atualização, o mesmo acontecendo, no decorrer do ano, com o Classe S e o GLS da divisão de ultraluxo do construtor teutónico).
Ainda mais impressionante, as 49 700 unidades do Classe G vendidas em todo o mundo no ano transato, mais 23% do que em 2024, e o melhor resultado comercial alcançado pelo mítico todo-o-terreno desde que foi lançado, na sua geração original, no já longínquo ano de 1979. E, embora não detalhe quanto exemplares, deste total, couberam às versões com motores a combustão, e à variante totalmente elétrica G 580 com Tecnologia EQ, A Mercedes afirma que esta última contribuiu de forma substancial para este recorde, e para conquistar novos clientes para a marca, assim contrariando as informações fornecidas por algumas fontes da própria empresa, que afirmavam que a respetiva aceitação estava (muito) longe do esperado, e desejado, chegando a considerá-lo um absoluto fracasso.



Digno de nota é, igualmente, 2025 ter sido o ano em que foi construído o exemplar 600 000 do Classe G, não sendo menos impressionante o facto de cerca de 80% de todos os exemplares já construídos ainda estarem em circulação. Isto num modelo que, ironicamente, não é construído pela própria Mercedes, mas na fábrica de Graz, na Áustria, da Magna Steyr.
Deste modo, compreende-se o empenho da Mercedes em diversificar a oferta do Classe G, nomeadamente com a (re)introdução de uma variante descapotável, estando já em fase de testes de desenvolvimento na via pública, em varias regiões do globo, o novo Classe G Cabrio. Confirmação existe, ainda, de que mais derivações chegarão, a seu tempo, ao mercado, mesmo que das mesmas não tenham sido desvendados quaisquer detalhes, sejam elas mais convencionais, ou mais excêntricas (como a Laundelet, ou a de seis rodas com a chancela da AMG, que marcaram de forma indelével a anterior geração) – não estando, de igual modo, posta de parte a possibilidade de o modelo poder vir a montar sob o capot um motor V12, tendo em conta que a Mercedes renovou recentemente o seu compromisso em manter esta arquitetura na sua oferta.
Outra novidade importante, e com lançamento assegurado, mas ainda sem data definida, é o Classe G mais pequeno, e acessível, também conhecido como “Baby G”. Embora venha a formar uma gama independente, também ele recorrerá a uma plataforma constituída por um robusto châssis de longarinas e travessas, sobre o qual é fixada a carroçaria, mesmo que distinto do utlizado pelo seu “irmão mais velho”, esperando-se venha a ser disponibilizado tanto com motores a combustão, como com motorizações 100% elétricas.









