A Tesla perdeu, para a BYD, o título de maior construtor de automóveis elétricos do mundo. Em 2025, a marca norte-americana vendeu 1,64 milhões de unidades, menos 9% do que as 1,79 milhões de 2024, e os chineses venderam 2,26 milhões, número que corresponde a aumento de 28%, na comparação com o ano precedente. Esta hierarquia, de acordo com muitos analistas, deverá até acentuar-se em 2026, uma vez que o fabricante asiático tem uma gama cada vez mais numerosa, diversificada, e popular, o que não acontece com a marca liderada por Elon Musk.
A Tesla, depois de um ano de 2024 negativo, não concretizou a ambicionada recuperação no ano passado, devido ao aumento da competitividade no sector dos automóveis elétricos, em boa parte criada pela pressão das marcas chinesas e europeias, e ao aumento da concorrência, decorrente da introdução de muitos modelos mais acessíveis. E, assim, a casa de Palo Alto registou o segundo ano consecutivo de perda nas vendas.
Este resultado deve-se, igualmente, à associação de Elon Musk à presidência Trump, a razão por detrás das polémicas responsáveis pela perda de popularidade do multimilionário. Havendo ainda que ter em conta o cancelamento, nos EUA, de todos os incentivos à aquisição de automóveis elétricos.
Já a BYD teve um ano de 2025 muito produtivo, tendo vendido 2,26 milhões de automóveis elétricos – a que se somam os muitos híbridos plug-in que também entregou durante o ano passado em todo o mundo. Este resultado deve-se, sobretudo, à sua expansão no mercado internacional, nomeadamente na Europa. É a primeira vez que o fabricante chinês vence o norte-americano nas vendas anuais, mas já o tinha superado nos registos trimestrais.
“A BYD, em 2025, aumentou e consolidou a sua posição global. A marca dispõe de uma vantagem cada vez mais significativa no mercado dos automóveis elétricos, com o alargamento da gama, e a introdução de produtos cada vez mais acessíveis, facto que pressiona a concorrência, nomeadamente a Tesla. O fabricante norte-americano, depois do aumento das vendas registado de 2021 a 2023, perdeu fôlego”, disse Tu Le, da consultora Sino Auto Insights.
Os números do quarto trimestre de 2025 confirmaram esta tendência negativa. A Tesla vendeu 418 227 automóveis elétricos, menos 16% do que no período homólogo de 2024, e um registo abaixo das estimativas de 423 000 unidades. Entretanto, Musk anunciou uma nova estratégia para a Tesla, que privilegia a condução autónoma, a inteligência artificial e a robótica. “A marca parece pouco interessada nesta ‘competição’, como o demonstra o facto de não estar a preparar o lançamento de novos modelos. A atualização do Model Y, e a introdução de uma versão mais acessível, não proporcionaram a ambicionada recuperação”, explicou Tu Le.
“Os problemas da Tesla são maiores na Europa, devido à dificuldade na aprovação da tecnologia de condução autónoma, o que deverá acontecer somente durante o primeiro trimestre deste ano”, interpretou outro analista, Dan Ives, da Wedbush. A BYD, em contrapartida, aumentou rapidamente a quota de mercado no continente, e prepara-se para produzir automóveis no Velho Continente, numa nova fábrica na Hungria.








