A Mahle, empresa criada em 1920, em Estugarda, na Alemanha, é reconhecida por dispor de (muitas) competências, tanto no desenvolvimento, como na produção, de componentes e sistemas para motores de combustão, híbridos e elétricos. Logo, a sua opinião sobre a mudança de paradigma no automóvel tem relevância, e os seus responsáveis técnicos não acreditam no futuro de uma tecnologia em que trabalham há mais de 15 anos: os extensores de autonomia.
Nestes sistemas, os motores de combustão têm a função somente de produzir eletricidade, depois fornecida às baterias que alimentam os motores elétricaos que fazem mover as rodas dos veículos. A tecnologia está a ganhar adeptos, uma vez que facilita a mudança de paradigma no automóvel, que está a acontecer, na Europa, bastante mais lentamente do que os decisores políticos ambicionavam.
A Mahletem experiência no desenvolvimento e produção de sistemas de extensor de autonomia para automóveis EREV (Extended Range Electric Vehicle), e também na adaptação de motores de combustão interna para atuarem apenas como geradores de energia, o que permitiu à empresa colaborar com vários fabricantes europeus e chineses. Essa experiência dá a Mike Bassett, Diretor de Engenharia da empresa alemã, uma visão muito privilegiada sobre esta temática.

Em entrevista ao site Automotive World, o responsável reconhece que o futuro da tecnologia é bastante limitado: “O interesse recente nos sistemas deve-se a diversos fatores. Na China, por exemplo, alguns fabricantes têm licenças para produzirem apenas veículos alimentados por novas energias (NEV), categoria que integra os EREV. Já na Europa, os modelos são interessantes por beneficiarem da classificação como híbridos plug-in”. Ainda assim, é nos EUA que o mesmo interlocutor diz encontrar um potencial de crescimento maior, devido à menor maturidade da infraestrutura de carregamento das baterias dos carros elétricos.
Já no contexto europeu, Mike Bassett acredita que terão um papel mais importante os combustíveis renováveis e sintéticos, combinados com a tecnologia EREV: “O etanol e o metanol são ótimos para os motores de combustão interna. Como os extensores de autonomia atuam de forma mais estável, e menos dependente da dinâmica de condução, torna-se mais fácil a otimização dos níveis de eficiência térmica”. No entanto, ainda de acordo com Mike Bassett, dois fatores comprometem o futuro dos extensores de autonomia: a arquitetura dos EREV, por combinar dois sistemas de propulsão, o que “não é a uma solução ideal”; e os progressos registados tanto pelas baterias, como pelas infraestruturas de carregamento: “Se existissem mais pontos de carga, e o processo fosse bem mais rápido, não existiria a necessidade de contarmos com baterias tão grandes, e a ansiedade que associamos à autonomia desapareceria”.
Por isso, para Mike Bassett, as vantagens dos EREV deverão dissipar-se gradualmente, embora a velocidade da transição dependa muito da evolução da infraestrutura… No curto prazo, no entanto, o interesse mantém-se – e é elevado. “Há, sem dúvida, muita procura”, concluiu.








