Na sequência do anúncio do resultado operacional de 2025, e face ao lucro operacional de 8,9 mil milhões de euros (menos de metade do que em 2024, devido aos impactos negativos das taxas alfandegárias adotadas pela Administração Trump, nos EUA, à estagnação das vendas na Europa e, também, à perda importante de quota no maior mercado mundial, a China – a que se somam todos os problemas na Porsche…), o grupo VW confirmou a sua intenção de eliminar 50 000 empregos até 2030, o que supera os 35 000 comunicados anteriormente. A maioria registar-se-á na Alemanha, e, de acordo com diversas fontes, não são antecipadas reduções de funcionários na Autoeuropa de Palmela, unidade que emprega, atualmente, quase 5000 pessoas.
Oliver Blume, de 57 anos, CEO do Grupo Volkswagen, função que desempenhará até 31 de dezembro de 2023, caso não se verifiquem alterações no seu contrato, comunicou a decisão numa carta enviada aos acionistas do maior fabricante de automóveis europeu. A medida não abrange apenas a marca principal (que tem cerca de 72 000 trabalhadores no seu país natal, e 134 000 no mundo) do conglomerado (290 000 funcionários na Alemanha, 660 000 globalmente), o que atesta bem da dimensão de uma empreitada necessária para aumentar a eficiência da empresa, e prepará-la para produzir apenas automóveis 100% elétricos.




No mesmo documento, Oliver Blume comunicou aos acionistas que existem mais cortes programados para os próximos quatro anos, sobretudo na Audi e na Porsche, e na divisão que trabalha o desenvolvimento de software, a Cariad, que conta com cerca de 5500 funcionários (engenheiros informáticos, maioritariamente). O grupo tem de reduzir muitos os custos para poder competir com a concorrência chinesa, que é cada vez forte, e não pára de ganhar quota de mercado na Europa. Já na China, em 2024, a marca perdeu a primeira posição para a BYD, e, no ano passado, baixou de segunda para terceira, sendo superada, também, pela Geely.
Na Porsche, a dimensão da empreitada é ainda maior, depois de os lucros (quase) desaparecerem no ano passado, para apenas 90 milhões de euros (menos 98% do que em 2024)! Antecipa-se, assim, o recurso a programa de recuperação que exige pacote ambicioso (e doloroso…) de medidas de reestruturação.








