Seguindo o plano desvendado na edição de 2025 do Salão da Mobilidade do Japão, a Toyota acaba de anunciar a mudança de nome da sua divisão desportiva, de Toyota Gazoo Racing para, simplesmente, Gazoo Racing (GR). É mais um passo no sentido de torná-la uma marca autónoma no seio do grupo nipónico (um pouco à semelhança do que já acontece, por exemplo, com a BMW M ou a Mercedes-AMG), posicionando-se acima da própria Toyota, e da Daihatsu, mas abaixo da Lexus – estando a, igualmente nova, Century no topo da pirâmide, com modelos que ambicionam rivalizar com os maiores exponentes do luxo da indústria (como os da Bentley ou da Rolls-Royce).
A confirmar esta nova abordagem está, ainda, a nomenclatura adotada pela Toyota Gazoo Racing Europe, que passa a chamar-se Toyota Racing, departamento sediado em Colónia, na Alemanha, especializado no desenvolvimento de tecnologias destinadas ao desporto automóvel. Mais um sinal de que a novel Gazoo Racing, a par de competir nas categorias de topo do automobilismo, como os campeonatos do mundo de resistência (WEC) e de ralis (WRC), também estará fortemente dedicada à comercialização de desportivos destinados a uma utilização na via pública. Inalterado mantém-se o nome da Toyota Gazoo Rookie Racing, entidade que tem por missão servir como uma ponte entre a Toyota Racing e a Gazoo Racing, reunindo os produtos e tecnologias que cada uma destas divisões desenvolve, e promovendo os jovens talentos na competição.

O nascimento de uma quinta marca no seio do maior construtor automóvel do mundo permitirá, igualmente, criar uma separação mais clara entre os modelos da Toyota e da GR, como há muito pretendido pelo fabricante nipónico. E o primeiro a chegar ao mercado será o GR GT, apresentado no final do ano passado, e, sintomaticamente, desprovido de qualquer emblema da Toyota, tanto por dentro, como por fora. Rumores havendo que indicam que o superdesportivo nem sequer será vendido pela rede comercial da Toyota, mas sim, e apenas, em alguns concessionários criteriosamente selecionados da… Lexus!

Fortemente provável é, de igual modo, que, a confirmar-se o lançamento de uma nova geração do MR2, também este venha a ser criado pela GR, e comercializado sob a sua égide, o mesmo se esperando aconteça com o novo Supra, cujo desenvolvimento está já confirmado (mesmo não existindo, ainda, indícios de quando possa estar pronto), e, desta feita, sem a participação da BMW. Não sendo, inclusivamente, descabido que a próxima geração do GR86 possa vir a ser o modelo de acesso à gama da Gazoo Racing, e que esta também venha a incluir o sucessor do atual GR Yaris e um futuro GR Corolla – não esquecendo que há quem afirme que alguns concessionários da Toyota tiveram já direito a ver os primeiros esboços de um putativo novo Celica, nome renascido das cinzas que também encaixaria de modo perfeito na oferta da sua nova submarca desportiva.

A este propósito, e sabendo-se que o poderoso 4.0-V8 biturbo híbrido de 650 cv será exclusivo do GR GT, valerá a pena recordar que a própria Toyota fez saber que o seu futuro modelo de motor central traseiro será animado por um inédito quatro cilindros a gasolina turbocomprimido, com 2,0 litros de capacidade, identificado pela sigla G20E, e estreado no protótipo GR Yaris M Concept. Tudo aponta para venha a oferecer cerca de 300 cv numa fase inicial, podendo chegar aos 400 cv numa eventual futura derivação ainda mais potente, ou mesmo aos 500 cv, recorrendo à tecnologia híbrida, que o construtor japonês domina como poucos. Além de poder ser montado em posição dianteira ou central, transversal ou longitudinalmente, e em combinação com tração a qualquer dos eixos, ou mesmo integral – assim podendo servir como “coração pulsante” de todos estes eventuais modelos da GR, à exceção do seu topo de gama, numa oferta que pode vir a ser surpreendente, e invejavelmente, vasta e diversificada até ao final da década.

Tudo isto acontece menos de duas décadas volvidas sobre o nascimento do nome Gazoo, criado em 2007, quando Akio Toyoda (neto do fundador, Kiichiro Toyota, atual Chairman do Grupo Toyota, e, na altura, Vice-Presidente Executivo da marca que lhe dá nome) decidiu disputar as 24 Horas de Nürburgring desse ano, juntamente com Hiromu Narusa (então “piloto mestre” da marca) e outros colegas da empresa. Mas como essa participação não era reconhecida como uma atividade oficial da Toyota na competição, a utilização do seu nome não foi permitida, e a equipa foi inscrita sob o nome “Gazoo Racing”, e Akio Toyoda identificado pelo, hoje profusamente (re)conhecido, pseudónimo que enquanto piloto: Morizo.
A partir daqui, e apesar do modesto resultado obtido nessa corrida (em que o maior mérito da equipa foi ter chegado ao fim…), Akio Toyoda deu início a uma história de sucesso, que teve como primeiro capítulo o Lexus LFA, superdesportivo lançado em 2010, desenvolvido, essencialmente, no mítico circuito germânico, e que continua a ser um dos modelos mais emblemáticos da submarca de luxo da Toyota. Entretanto, após a morte do seu mentor, Hiromu Narusa, num acidente ocorrido perto de Nürburgring, Akio Toyoda assumiu o seu lugar enquanto “piloto mestre”, e levou avante a sua convicção de que a Toyota tinha todas as condições para produzir desportivos de excelência, e comercializá-los com êxito, daqui resultando o GT86 (em 2012) e o GR Supora (em 2019), mesmo que desenvolvidos em parceria com a Subaru e a BMW, respetivamente.

Já presidente da companhia, Akio Toyoda decidiu, em 2015, unificar as suas atividades no desporto automóvel, reunindo a Toyota Racing, a Lexus Racing e a Gazoo Racing numa mesma entidade: a Toyota Gazoo Racing. Mas foi o regresso ao Mundial de Ralis que marcou o ponto de viragem decisivo no percurso da, agora, submarca desportiva da Toyota: inicialmente participando com veículos baseados em automóveis de produção em série, a decisão de inverter o processo, e desenvolver um carro de corridas capaz de vencer o Campeonato do Mundo, e depois dar origem a um automóvel de produção em série, levou à criação do GR Yaris, com o sucesso que se (re)conhece, na competição e fora dela!








