Ford mantém firme a sua aposta na Fórmula 1, mesmo diante da iminente mudança para motores V8 que ameaça transformar o panorama técnico da categoria. Mark Rushbrook, diretor global da Ford Racing, garantiu que a possível regressão a uma arquitetura V8 não abala o compromisso da marca norte-americana, que voltou às pistas em 2023 ao lado da Red Bull Powertrains, desafiando a tradição dos motores híbridos atuais.
A parceria Ford-Red Bull Powertrains tem sido a grande surpresa positiva da temporada, com a equipa de Milton Keynes a desenvolver uma das unidades de potência mais competitivas do grid, graças ao trabalho do diretor técnico Ben Hodgkinson. A estreia do motor 1.6 V6 híbrido trouxe um equilíbrio quase 50/50 entre potência térmica e elétrica, com este último a subir de 120kW para 350kW, numa aposta clara na eletrificação. No entanto, as recentes declarações do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, indicam uma viragem para um modelo mais tradicional, com a eletrificação a ser significativamente reduzida e uma divisão 60/40 a favor do motor de combustão interna prevista para 2027.
Esta mudança de rumo, que poderá antecipar um regresso ao V8 já em 2030, não preocupa Ford, como explicou Rushbrook numa conversa exclusiva durante as 24 Horas do Nürburgring. “Não, honestamente, não acreditamos que haja uma mudança de atitude que nos afete negativamente. Temos muita flexibilidade e uma gama diversificada de tecnologias, desde motores puramente de combustão a elétricos e híbridos. A Ford pode adaptar-se a qualquer cenário dentro da Fórmula 1”, afirmou.
Rushbrook reforça que a marca continua a comercializar muitos veículos com motor exclusivamente térmico, pelo que um motor V8 naturalmente aspirado, com um componente elétrico reduzido, “é adequado para o desporto e seria bem recebido por nós”. A Ford destaca ainda a sua presença em várias outras vertentes do desporto motorizado, onde as diferentes regulamentações técnicas permitem o desenvolvimento e aprendizagem contínuos para a marca.
Apesar das críticas à atual fórmula híbrida, que divide fãs e pilotos, a introdução de ajustes no sistema de recuperação e utilização de energia tem melhorado a dinâmica das corridas, criando mais oportunidades de ultrapassagem. Rushbrook reconhece que “muitos fãs não gostam, mas muitos também gostam. As mudanças para 2026 foram apropriadas e dentro do possível para esta temporada”. E acrescenta que “mais ajustes fazem sentido para continuar a evoluir e melhorar o espetáculo, para os participantes e para os espetadores”.
Max Verstappen, piloto da Red Bull, já alertou que sem estas mudanças mais drásticas, a atual configuração “não é mentalmente sustentável” para ele, sublinhando a importância do equilíbrio técnico para manter o interesse dos protagonistas da F1.
Ford, Audi e Honda são as três fabricantes que regressam ou reforçam o seu envolvimento na Fórmula 1 em 2024, num ano decisivo para o futuro dos motores na categoria rainha do automobilismo. A Ford, com a sua posição flexível e visão de longo prazo, prepara-se para abraçar o que quer que venha a ser definido pela FIA, mantendo-se como um ator relevante e competitivo no desporto que está a transformar. A revolução pode estar a caminho, mas a presença do “blue oval” está mais sólida do que nunca.
