Um dos dois protótipos construídos pela casa de Maranello para testar a caixa semiautomática está à venda: o Ferrari 639 F1 foi utilizado para desenvolver a tecnologia que revolucionou a disciplina máxima do automobilismo, primeiro, e, depois, foi transposta para desportivos de produção em série. Este monolugar nunca competiu, e integra a coleção de cinco carros emblemáticos da marca de cavallino rampante, disponibilizados pela britânica Furlonger.
O Ferrari Tipo 639 está envolto, então, numa aura muito especial, já que foram produzidas apenas duas unidades – e somente a que tem o chassis #106 está em mãos privadas. Este monolugar foi utilizado, primordialmente, para ensaiar a caixa semiautomática que seria utilizada pela Scuderia na Fórmula 1, depois do fim da era turbo, isto é, em combinação com o motor 3.5-V12 atmosférico (Tipo 035), tendo estreado o sistema em 1989, quando Nigel Mansell e Gerhard Berger eram os pilotos da equipa italiana.
O 639 F1 foi o primeiro Fórmula 1 a dispor de sistema de troca de mudanças através patilhas no volante, com o comando a fazer-se por impulsos eletrónicos, e não por intermédio de um seletor mecânico convencional. Apesar dos receios de fiabilidade, a estreia do sistema acabou por surpreender, já que Mansell venceu a corrida inaugural da temporada, no Brasil, demonstrando o potencial de tecnologia, e despertando o interesse de todas as rivais da formação transalpina.
O 639 F1 com o chassis #106 esteve na posse da Ferrari entre 1988 e abril de 1999, quando foi vendido a um colecionador privado. Desde então, foi mantido de forma muito minuciosa, e sob supervisão da divisão de restauro da marca, a Ferrari Classiche. Além disso, participou em diversos eventos importante, nomeadamente em Inglaterra, como o Festival de Velocidade de Goodwood, ou o Festival de Históricos de Silverstone.

Mas este é apenas um dos cinco carros integrados na coleção que a Furlonger, em colaboração com Egon Zweimüller, está a vender. A “Scuderia ‘89 – The Pursuit of Paddle” representa o empenho e o investimento da Ferrari no progresso técnico e tecnológico tanto na Fórmula 1, como nos desportivos de produção em série.
Nesta coleção, além do 639 F1, encontram-se o 640 F1 (chassis #110) utilizado por Gerhard Berger em 1989 (Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha e América), monolugar já equipado com a caixa de velocidades revolucionária – assim como um exemplar do F355 Spider, de 1998, primeiro automóvel de produção em série equipado com o mesmo sistema. Complementarmente, e embora não disponham de mecanismos iguais, a Furlonger também disponibiliza um F40 de 1989, em estado quase original, e com apenas 24 000 km no odómetro; e um F50 de 1996, cujo motor V12 deriva, diretamente, da mecânica utilizada na Fórmula 1, e com quilometragem ainda mais reduzida (só cerca de 22 500 km).
De acordo com a Furlonger, esta coleção está disponível apenas como conjunto – ou seja, não serão admitidas vendas de apenas um ou dois automóveis –, e tem um valor estimado de 20 milhões de libras esterlinas (cerca de 23,2 milhões de euros à taxa de câmbio atual).








