BYD já faz mais dinheiro fora da China. Vendas no mercado interno caem quase 46%

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A BYD está a mudar rapidamente o centro do seu negócio. No primeiro semestre de 2026, 53% das receitas vieram de mercados estrangeiros, enquanto as vendas da marca na China sofreram uma forte quebra.

A BYD está cada vez mais dependente dos mercados internacionais. Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram uma mudança significativa na atividade da fabricante chinesa: 53% das suas receitas tiveram origem fora da China, numa altura em que o mercado doméstico atravessa um período particularmente difícil.

Entre janeiro e junho, a BYD gerou cerca de 181,3 mil milhões de yuan (27 mil milhões de euros) no estrangeiro, mais 34% do que no mesmo período de 2025. Em sentido contrário, as receitas provenientes da China diminuíram 31%.

A diferença também é evidente nas vendas. A marca BYD registou 795.169 veículos na China durante o primeiro semestre, uma queda de 45,9% face ao ano anterior.

O estrangeiro está a salvar as contas

Fora da China, a realidade é praticamente oposta. O grupo comercializou 792.256 veículos no primeiro semestre, mais 70,6% do que um ano antes.

E o ritmo de crescimento acelerou ainda mais. Só em agosto, as vendas internacionais atingiram cerca de 190 mil unidades, estabelecendo um novo recorde e representando um crescimento de 134% em termos homólogos.

Este desempenho inclui as diferentes marcas do grupo, como Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang. Algumas estão, aliás, a crescer fortemente na China, mas ainda não conseguem compensar a quebra registada pela marca BYD.

A expansão internacional tem também impacto direto na rentabilidade. A margem bruta das operações fora da China chegou aos 22%, mais 1,9 pontos percentuais do que no ano anterior.

China continua a ser o grande desafio

Apesar do crescimento no estrangeiro, a situação financeira global deteriorou-se. A receita total da BYD caiu 7,1% no primeiro semestre, para 344,8 mil milhões de yuan, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas recuou 20,5%, para 12,3 mil milhões de yuan.

Uma das principais dificuldades está nos híbridos plug-in (PHEV). Entre janeiro e agosto, o grupo vendeu 1,27 milhões de unidades deste tipo, menos 11,2% do que no mesmo período de 2025.

Nos primeiros meses do segundo semestre, contudo, surgiram sinais de recuperação. Em julho e agosto, a BYD vendeu globalmente 844.456 veículos, mais 18,5% do que no mesmo período do ano anterior. Os elétricos 100% elétricos (BEV) cresceram 29,6%, enquanto os PHEV aumentaram 6%.

A BYD está agora a acelerar a expansão na Europa, Sudeste Asiático e América Latina. O Brasil já é o maior mercado da marca fora da China, enquanto estão também a ser desenvolvidas unidades de produção em países como Brasil, Hungria e Turquia.

Os números mostram uma mudança clara: a BYD nasceu e cresceu na China, mas o seu futuro está cada vez mais dependente do exterior.