É o derradeiro capítulo na história do motor W16 da Bugatti, que esteve quase duas décadas consecutivas em produção – estreou-se, em 2005, no Veyron 16.4, numa variante que tinha 1001 cv! A última unidade tem 1600 cv e anima o Mistral La Perle Rare, exemplar único fabricado a pedido de um cliente fiel da marca francesa, que passou do controlo do Grupo VW, que comandou os seus destinos de 1998 a 2021, para a posse da Bugatti-Rimac, empresa participada pelo Grupo Rimac (55%), do croata Mate Rimac, e pela Porsche (45%). Na conceção do hiperdesportivo one-off respeitaram-se critérios rigorosíssimos de exclusividade, para a entrega de “uma obra de arte muito personalizada”.
O motor do W16 Mistral tem 8,o litros e quatro turbcompressores, a combinação por detrás das performances formidáveis do Bugatti que antecedeu o Tourbillon, a primeira máquina da marca francesa equipada com motorização híbrida e… 1800 cv – conta com um 8.3-V16 3 atmosférico (1000 cv), desenvolvido em colaboração com a Coswort, combinado com três motores elétricos. Para o descapotável mais veloz do mundo (recorde de 453,91 km/h), são anunciados 2,4 segundos nos 0-100 km/h, e uma velocidade máxima limitada a 420 km/h. Produziram-se tão-somente 99 exemplares, e o one-off baseia-se num chassis da série ultralimitada.




A história do La Perle Rare (“a pérola rara”, traduzindo do francês para a português) teve o primeiro capítulo em 2023, no Concurso de Elegância de Pebble Beach, encontro organizado, anualmente, na Semana do Automóvel de Monterey, na Califórnia. Então, o diretor da divisão da Bugatti com a responsabilidade de trabalhar os programas de personalização, Jascha Straub, reuniu com o cliente que encomendou esta unidade muito especial. Depois, os encontros entre as partes multiplicaram-se, para satisfação de todos os pedidos (e caprichos…) do proprietário (obviamente, o nome foi mantido sob anonimato).
A Bugatti, no processo de criação do La Perle Rare, não encontrou inspiração em nenhuma corrente artística, mas orientou-se pelos princípios das “Vagues de Lumière” (ondas de luz), da luminosidade da natureza, o que originou duas pinturas inéditas em cor pérola (uma integra a infusão de partículas de ouro, e está somente na metade superior da carroçaria do W16 Mistral, e a outra na inferior). Para separá-las, a equipa que trabalhou neste programa desenvolveu linhas divisórias brancas e douradas, que são fundamentais na identidade visual do hiperdespoetivo com monocoque em fibra de carbono, e derivada da plataforma do Chiron (a estrutura foi reforçada, para compensar a ausência de tejadilho fixo, e é extremamente rígida). Este processo fez-se manualmente, demorou centenas de horas, e incluiu os acabamentos brancos e dourados existentes nas jantes.
A imagem do interior também é específica, com a fibra de carbono pintada de branco, painéis das portas em branco e dourado, e iluminados, e muitos elementos fabricados em alumínio maquinado e polido (no volante, nos mostradores integrados na consola central, ou nos puxadores das portas). A inscrição La Perle Rare, escrita à mão pelo próprio Straub, encontra-se, por exemplo, no túnel central, na tampa do motor, e sob a asa traseira. E, por fim, a escultura Dancing Elephant, de Rembrandt Bugatti, é reproduzida dentro e fora do W16 Mistral, modelo que obrigou, garantidamente, a investimento muitíssimo superior aos cerca de 5 milhões de euros que custava cada unidade deste descapotável (antes de impostos), considerando os níveis de exclusividade e personalização.














