No sempre fulcral segmento C (ou dos familiares compactos) europeu, o representante da Peugeot é, historicamente, um dos grandes protagonistas, liderando, mesmo, a classe em Portugal há já dois anos (sendo a carrinha o modelo do género, em todos os segmentos, mais vendido no nosso país nos últimos quatro anos). Porventura, este terá sido um dos fatores que levaram a marca francesa a escolher a região da Ericeira para a apresentação dinâmica à imprensa internacional dos (muito) melhorados 308 e 308 SW da terceira geração, originalmente lançada em 2021 (depois da primeira, datada de 2007, então, ainda com variante CC, com tejadilho rígido removível eletricamente, e da segunda, originária de 2013). E a forma como a casa de Sochaux comunica esta atualização diz tudo acerca do caminho por si seguido nesta matéria: “prazer de condução levado a sério”, numa gama articulada em torno de quatro motores (a gasolina com tecnologia mild hybrid, híbrido plug-in, totalmente elétrico, e, até, a gasóleo), e três níveis de equipamento (Style, Allure e GT).
Mas se é indesmentível que 308 e 308 SW viram ser reforçado um atributo pelo qual sempre foram (re)conhecidos, não o é menos que as alterações operadas estão longe de se limitar à experiência de condução. Por exemplo, tirando partido da assinalável aceitação que o estilo introduzido pelo modelo registou junto do público, os designers do construtor gaulês não se pouparam a esforços para aprimorá-lo, dentro da medida do possível numa revisão de meio de ciclo, em que os custos nesta matéria têm de ser sempre mais contidos do que num automóvel totalmente novo.
Não obstante, é fácil identificar que se está em presença de um 308 diferente do anterior, muito por culpa dos novos grupos óticos integralmente por LED (Matrix LED na frente, no nível de equipamento GT), e respetivas assinaturas luminosas. Integrados no para-choques, os dianteiros, com três finas “garras” verticais, e duas secções horizontais sobrepostas (a superior para os “médios”, a inferior para os “máximos”), são unidos por um conjunto de linhas luminosas, que não só funcionam enquanto luzes de circulação diurna, como realçam a grelha na cor da carroçaria, e ainda desempenham a função de “piscas” (sequenciais, no nível GT); os traseiros, unidos por uma faixa lacada, exibem, igualmente, as já típicas três garras, mas, neste caso, inclinadas.




Ainda a reter, neste particular, os novos 308/308 SW serem os primeiros em que o novo emblema da Peugeot (que os seus antecessores estrearam) é iluminado; a ausência de elementos cromados na carroçaria; as jantes de novo desenho com corte diamantado (17” no nível Allure, 18” no nível GT e em todos os 308/308 SW 100% elétricos, com acabamento em preto no nível Style); e a nova cor Azul Lagoa disponível para o hatchback, passando a 308 SW a também ser proposta em Azul Ingaro. Por fim, sublinhe-se que a carrinha continua a ser mais comprida (28 cm) e maior entre eixos (6 cm) do que a berlina.
No habitáculo, com iluminação ambiente ajustável em oito cores, sem surpresa, as alterações foram menos profundas. O espaço para passageiros e bagagens é o já conhecido (destaque para a capacidade da mala da 308 SW, que pode atingir um máximo de 1487 litros, mercê do banco traseiro rebatível na proporção 40/20/40); a apreciável qualidade geral mantém-se, sobretudo nos níveis de equipamento que beneficiam de revestimentos em Alcantara e de aplicações em alumínio; e a interface do condutor, a cargo do painel de instrumentos digital (opcionalmente, com gráficos 3D no nível GT), e do ecrã central tátil de 10”, continua a ter nos i-Toggles (botões de atalho virtuais configuráveis para uma panóplia de funções), instalados sob este último numa faixa preta, um trunfo meritório.
Opções de motorização é o que também não falta. Na fase de lançamento, versões a gasolina com tecnologia mild hybrid a 48 V (três cilindros turbo a gasolina de 1,2 litros, com 145 cv e 230 Nm, e caixa pilotada de dupla embraiagem e seis velocidades); híbrida plug-in (motor 1.6 a gasolina de 150 cv, motor elétrico de 125 cv, rendimento combinado de 195 cv e 360 Nm, caixa pilotada de sete relações, bateria com 14,6 kWh de capacidade utilizável, 85 km de autonomia no ciclo combinado WLTP); e totalmente elétrica (motor de 156 cv e 270 Nm, agora alimentado por uma bateria com 55,4 kWh de capacidade utilizável, autonomia de 450 km no ciclo combinado WLTP). No segundo trimestre de 2026, variante com motor 1.6 turbodiesel de 130 cv e 300 Nm, com caixa automática de oito velocidades, e consumo combinado, no ciclo WLTP, de 4,9 l/100 km.





Nas estradas da região a oeste de Lisboa, foi possível desfrutar de uma primeira experiência de condução ao volante de todas as versões dos novos 308/308 SW para já disponíveis, em qualquer dos casos, dotadas do mais completo e refinado nível de equipamento e acabamentos GT, em que os opcionais bancos desportivos, com certificação ortopédica, e função de massagem, são um elemento a ter em conta. E se, em todas elas, 308 e 308 SW mostraram continuar a ser uma das principais referências da sua categoria no plano dinâmico, conjugando, de forma invejável, conforto de marcha com um comportamento bastante eficaz, ao ponto de proporcionarem momentos de inegável prazer ao volante, a verdade é que os seus temperamentos são bastante distintos.
A variante híbrida, com os seus 145 cv, não poderia ser, de todo, a mais veloz, mas não perde muito para a híbrida plug-in, com a (grande) vantagem de ser a mais equilibrada, muito por culpa de um peso inferior em mais de 200 kg para as suas congéneres que montam uma bateria de alta tensão. Na declinação híbrida plug-in, é evidente a maior capacidade de resposta às solicitações do acelerador, traduzida, também, em prestações mais céleres, porém, o peso não lhe permite oferecer um desempenho tão fluído e linear. Ao passo que na opção totalmente elétrica, a menos veloz da família, os 1674 kg são determinantes para a performance e para a atitude em curva, ainda que seja de realçar os benefícios em termos de autonomia que garante face à que antecedeu.
Já numa perspetiva mais abrangente, há que reconhecer que os renovados 308/308 SW melhoraram substancialmente, e continuam a ser das propostas mais interessantes e competentes do seu segmento nas respetivas categorias. Já à venda em Portugal, os preços iniciam-se nos €33 335 no caso do 308 Hybrid, nos €41.05º para o 308 Plug-in Hybrid, e nos €41 195 se a opção recair no E-308 – custando a 308 SW sempre mais €1100 do que a berlina equivalente.








