Mercedes em alerta: vendas na China caem 30% e marca revê previsões para 2026

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A Mercedes está a atravessar um período particularmente difícil na China, um dos mercados mais importantes para a marca alemã. Entre abril e junho, as entregas caíram 30%, uma quebra que já levou a empresa a rever em baixa as previsões para o conjunto de 2026.

A fabricante de Estugarda espera agora terminar o ano com uma faturação ligeiramente inferior à registada em 2025. Até aqui, a previsão apontava para que as receitas se mantivessem ao mesmo nível do ano passado.

A queda das vendas na China está diretamente relacionada com a situação económica do país, nomeadamente com a prolongada crise no setor imobiliário, que tem afetado a confiança dos consumidores. O impacto é ainda mais significativo no segmento premium, onde a Mercedes está particularmente exposta.

A quebra de 30% registada pela marca no segundo trimestre foi superior à contração do mercado automóvel chinês no mesmo período. O cenário coloca pressão adicional sobre a estratégia definida pelo diretor-executivo Ola Källenius, que nos últimos anos tem apostado num posicionamento mais exclusivo e lucrativo para a Mercedes.

O problema é que essa estratégia também aumentou a dependência da marca em relação aos consumidores com maior poder de compra. E são precisamente esses clientes que estão agora a mostrar maior cautela na China.

Apesar das dificuldades, Källenius não pretende abandonar aquele que continua a ser um mercado essencial para a Mercedes.

“Se se quer ser um interveniente global, é preciso estar na China”, afirmou o responsável durante a apresentação dos resultados aos investidores, defendendo uma visão de longo prazo para o mercado chinês.

Os resultados do segundo trimestre ajudam a perceber a dimensão do desafio. O resultado operacional do grupo ficou nos 1,5 mil milhões de euros, abaixo dos 1,6 mil milhões de euros esperados pelos analistas.

Na divisão de automóveis de passageiros, a margem operacional ajustada caiu de 5,1% para 4%, enquanto o resultado operacional ajustado recuou 26%, para 909 milhões de euros.

Apesar desta deterioração, a Mercedes manteve a previsão de rentabilidade anual para a divisão de automóveis. Já a área de veículos comerciais ligeiros terminou o trimestre com uma margem de 10,1%, ligeiramente abaixo dos 10,4% registados no mesmo período do ano anterior.

Novos modelos podem ajudar a Mercedes

A marca espera conseguir recuperar algum terreno durante a segunda metade do ano graças à chegada de vários modelos e atualizações importantes.

Entre as novidades estão o renovado Classe S, o novo GLC e as atualizações dos GLE e GLS. A Mercedes prepara ainda a chegada de novos produtos para reforçar a sua presença em diferentes segmentos.

Ao mesmo tempo, a empresa continua a apostar na redução de custos. Desde 2019, a Mercedes afirma ter conseguido reduzir os custos fixos em 25%, enquanto os programas de eficiência continuam a ser reforçados, sobretudo nas instalações alemãs.

A fabricante voltou a acelerar estas medidas em junho, com cortes nas despesas administrativas e de investigação e desenvolvimento a ajudarem a compensar parte da pressão sobre os resultados.

Mercedes não está sozinha

O problema está longe de ser exclusivo da Mercedes. A indústria automóvel alemã, e em particular o segmento premium, está a enfrentar uma situação cada vez mais complicada na China.

A BMW já tinha revisto em baixa as suas previsões, apontando também para a fraqueza do mercado chinês, enquanto a Audi reduziu as suas expectativas de vendas. Até o grupo Volkswagen reviu em baixa as previsões de receitas.

Na China, os fabricantes alemães estão a enfrentar uma concorrência cada vez mais forte por parte das marcas locais, que conseguem oferecer mais equipamento e tecnologia por preços mais baixos.

Esta pressão torna-se especialmente evidente no segmento dos veículos elétricos, onde fabricantes chineses ganharam rapidamente terreno e obrigam marcas como Mercedes e BMW a competir num mercado muito diferente daquele que encontraram há alguns anos.

Durante muito tempo, a China foi uma das principais fontes de crescimento e rentabilidade para os fabricantes premium alemães. Agora, com a procura em queda, uma concorrência local mais agressiva e consumidores cada vez mais exigentes, esse mercado transformou-se num dos maiores desafios para a Mercedes.

A grande questão passa agora por perceber se os novos modelos e a estratégia de redução de custos serão suficientes para inverter a tendência durante a segunda metade de 2026.

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