Pista do hungaroring está a descolar e F1 mostra preocupação

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A superfície do circuito do Hungaroring está a apresentar graves problemas de degradação, preocupando a Fórmula 1 e a FIA, que acompanham atentamente a situação para evitar um cenário semelhante ao ocorrido em Mónaco, onde a corrida foi interrompida devido a danos no asfalto. No primeiro dia de treinos em Budapeste, foram visíveis várias dificuldades para os pilotos, com deslizes, bloqueios de travões e trajectórias irregulares causadas por um piso sujo e irregular.

A principal preocupação está na última curva, onde o asfalto começa a desfazer-se, com pedras a soltar-se, criando uma superfície muito irregular e suja fora da trajectória ideal. Esta situação está a dificultar muito o desempenho dos carros e a obrigar os pilotos a contornar o traçado de forma pouco convencional. George Russell, piloto da Mercedes, manifestou o seu desagrado com o estado do circuito durante a conferência de pilotos da FIA na sexta-feira: “É uma pena, porque Budapeste é um dos circuitos mais divertidos para conduzir. Resurfaceram um terço do traçado e, infelizmente, fizeram um trabalho muito mau. Está muito irregular. Muitos pilotos bloquearam os travões na Curva 1 e a pista está a desfazer-se na última curva. As pessoas estão a conduzir pelo meio da curva e não a tocar no ápice, o que é um pouco estranho.”

Após estas preocupações, o director de corrida da Fórmula 1, Rui Marques, e outros oficiais realizaram uma inspeção ao circuito na noite de sexta-feira. Foi detetado que o ressalto na Curva 1 resultava da transição entre o pavimento antigo e o novo, que não ficou totalmente nivelada. Os organizadores do Grande Prémio da Hungria trabalharam para compactar as irregularidades, principalmente na linha de corrida e na zona interior onde se espera que ocorram ultrapassagens.

Segundo relatos, o problema com o asfalto a desfazer-se já tinha sido identificado nas últimas semanas em eventos de outras categorias, especialmente nas zonas recentemente re-asfaltadas nas Curvas 1 e 12. Simone Berra, engenheira-chefe da Pirelli, confirmou que recebeu avisos do circuito antes do evento, explicando que “o circuito estava a abrir devido às corridas anteriores”. Algumas reparações foram feitas, como na Curva 1, mas estas zonas não oferecem o mesmo nível de aderência que o asfalto original.

Oscar Piastri, piloto da McLaren, descreveu a situação como “muito estranha”, referindo que “nas partes novas, onde o asfalto se desgastou e colocaram faixas de pavimento, é bastante inconsistente”. O maior problema mantém-se na última curva, onde o desgaste força os pilotos a sair da linha ideal.

A FIA terá de monitorizar a evolução da superfície ao longo do fim de semana, mas mesmo que o asfalto se mantenha, o impacto será sentido pelos pilotos. Simone Berra destacou que “o risco é a redução do nível de aderência e o aumento do deslizamento nessa zona. Isso gera mais sobreaquecimento dos pneus porque se escorrega mais. Pode piorar com o passar das voltas, especialmente numa corrida com todos os carros em pista, e se as temperaturas subirem nos próximos dias.”

Recorde-se que em Mónaco uma situação semelhante, com a degradação do asfalto numa zona re-asfaltada, levou à interrupção da corrida para reparações de emergência, algo que a Fórmula 1 quer evitar no Hungaroring. A atenção está agora centrada na gestão do desgaste do circuito e na segurança dos pilotos ao longo do Grande Prémio.

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