Propriedade do consórcio chinês SAIC Motor, a MG tem reforçado a sua posição no mercado europeu desde o regresso à ação, em 2011. Embora os automóveis elétricos assumam um papel central na sua atividade, o fabricante de origem britânica reconhece a importância das tecnologias híbridas na Europa, por garantirem respostas a diferentes perfis de utilização.
Neste contexto, está em desenvolvimento uma nova versão nova do sistema Hybrid+, já instalado em mais de 200 000 MG vendidos na Europa. E, além do recurso a uma bateria semissólida, prometem-se melhorias na transmissão de três velocidades, e no controlador eletrónico de gestão, por forma a otimizar o desempenho e o refinamento da motorização.

A ambição da SAIC Motor passa por “liderar o caminho tecnológico, e não apenas seguir tendências”. Esta ideia foi sublinhada por Josef Kaban, vice-presidente com a área do Design, que destacou a inovação como um dos pilares da MG, marca que procura combinar a emoção e a razão no desenvolvimento de todos os automóveis.
Essa visão materializa-se no novo sistema Hybrid+, que tem estreia prevista para o MG 4 Urban, modelo com introdução no mercado agendada apenas para o final do ano, inicialmente somente em versões 100% elétricas. Segundo a MG, esta tecnologia foi concebida para ultrapassar as limitações habituais dos híbridos convencionais, nomeadamente a enorme dependência do motor de combustão interna, passando a abordagem por uma integração mais eficiente entre hardware e software, com o objetivo de disponibilizar mais potência, garantir menores consumos, e proporcionar superiores níveis de conforto (acústico e vibracional).

Na base deste sistema está um motor 1.5 a gasolina, desenvolvido especificamente para aplicações híbridas, capaz de debitar 102 cv e 128 Nm, com uma elevada taxa de compressão (16,3:1), e uma eficiência térmica de cerca de 41%. Apto a cumprir a norma Euro 7, tem acoplada uma nova transmissão de três velocidades, concebida para melhorar a articulação entre o motor térmico e o motor elétrico, que, com 136 cv e 250 Nm, assume um papel preponderante na entrega de potência – uma inversão face a muitos sistemas híbridos atuais. Sendo, igualmente, nova a gestão eletrónica do sistema, a cargo de um controlador denominado Logic Engine, mais rápido no processamento, e capaz de regular oito modos de condução, adaptando o funcionamento do Hybrid+ tanto às condições de utilização, como às preferências do condutor.
Mas o principal elemento de destaque do conjunto é, mesmo, a bateria de estado semissólido SolidCore, que a MG posiciona como elemento diferenciador da sua gama eletrificada, já que, após a sua introdução no MG 4 Urban, será, progressivamente, instalada em outros modelos. Com química de iões de lítio-óxido de manganês (LMO), uma arquitetura cell-to-pack, 1,83 kWh de capacidade, e uma tensão de 350 V, ao contrário das convencionais baterias de iões de lítio (como as LFP e as NCM, que utilizam eletrólito líquido), esta solução recorre a uma composição com cerca de 95% de eletrólito sólido, daí advindo vantagens como os tempos de carregamento até 15% mais rápidos, e uma entrega de potência até 20% superior.

Outro aspeto relevante prende-se com a segurança. A MG desenvolveu um novo invólucro estrutural para a bateria, capaz de resistir a condições severas, incluindo incêndios. Segundo a marca, este sistema poderá suportar até 30 minutos de exposição a chamas sem provocar ignição do acumulador de energia, e resiste a temperaturas de até 1200º C.
Embora não tenham sido revelados detalhes sobre o diferencial de custo face às baterias LFP, acredita-se que a produção em larga escala permitirá mitigar o impacto no preço final. Paralelamente, a MG já trabalha na próxima etapa: baterias de estado sólido. Com protótipos previstos para testes reais no próximo ano, a marca aponta para autonomias que poderão atingir os 1000 km em futuros modelos 100% elétricos, podendo a sua chegada ao mercado ter lugar ainda antes do final da década.
O reforço da presença da MG na Europa passa, ainda, pela criação de um centro de engenharia em Frankfurt, dedicado ao desenvolvimento de automóveis “na Europa e para a Europa”. Nessa infraestrutura, serão considerados fatores como condições climatéricas, tipos de estrada, e preferências dinâmicas dos condutores da região. A marca também mantém equipas de engenharia em Longbridge. e um centro de design em Londres, , o que assegura a influência europeia no desenvolvimento dos seus automóveis.










