Se muitos serão, ainda, aqueles a quem o nome KGM pouco ou nada diz, não será demais relembrar que esta é a designação adotada pela marca sul-coreana durante muitos anos conhecida como Ssangyong, e adquirida pelo KG Group, em 2022, após várias peripécias, e outros tantos momentos de menor fulgor comercial e financeiro. Presente em Portugal desde julho de 2024, onde é representada pelo grupo Astara, a sua oferta no mercado nacional tem estado assente na pick-up Musso, e nos SUV Tivoli, Korando, Torres e Rexton – a que a acaba de juntar-se mais um, o KGM Actyon HEV, à partida, uma proposta decisiva para incrementar o seu potencial de vendas, logo, o seu reconhecimento, em território luso.
Com dimensões próximas das de modelos com reconhecidos pergaminhos na classe, casos do Peugeot 5008 ou do VW Tayron (nova designação do SUV durante anos conhecido como Tiguan Allspace) – embora, ao contrário destes, a lotação seja sempre de “apenas” cinco lugares –, o Actyon HEV exibe um porte imponente, assim como um design que não esconde a sua proveniência, traduzido num visual robusto, porém, dinâmico, em que marcam presença a iluminação exterior integralmente por LED, e as jantes de liga leve 20” propostas de série, revestidas por pneus de medida 245/45. O resultado final é um SUV que dificilmente passa despercebido, seja pelo ser ar de coupé, garantido pela quebra da linha de tejadilho em direção à traseira, seja pela frente afilada, seja pela traseira de formato mais convexa, num caso, como no outro, pontuadas por grupos óticos afilados.
Vantagem de um SUV que mede 4740 mm de comprimento, 1910 mm de largura, 1680 mm de altura, e 2680 mm entre eixos, e não dispõe de mais do que cinco lugares, só poderia ser a bagageira, com nada menos do que 839 litros (estando a chapeleira montada, e o banco traseiro na sua posição normal), valor substancialmente ampliável até um máximo de 1568 litros mediante o rebatimento do banco posterior. E, como não espantará, espaço é o que também não falta para quem segue a bordo, com destaque para o disponibilizado às pernas dos passageiros traseiros.






Ainda no habitáculo, é evidente a aposta na sofisticação e na tecnologia. No chamado ecrã panorâmico, reúnem-se o painel de instrumentos digital de 12,3”; e o ecrã central, de dimensões idênticas, para comando de um sistema de infoentretenimento que integra já a nova interface gráfica do utilizador Athena 2.0 da KGM. Além de que, para melhorar o isolamento acústico do habitáculo, logo, a comodidade a bordo, o Actyon HEV recebeu uma profusão de materiais fonoabsorventes, aplicados ao longo de toda a estrutura do veículo, e especialmente destinados a absorver o ruído do motor a gasolina que integra a motorização híbrida.
Motorização que é, sem margem para dúvidas, um dos componentes fulcrais do novo SUV sul-coreano de tração exclusivamente dianteira, capaz de funcionar nos modos híbridos paralelo e em série, e a primeira oriunda do género oriunda daquele país assente numa arquitetura em que o propulsor térmico tem a montante e a jusante (neste caso, após a caixa de velocidades) um motor elétrico. Em concreto, o conjunto é composto por um quatro cilindros de 1,5 litros de nova conceção, a funcionar no mais eficiente ciclo Miller, com injeção direta de gasolina (300 bar de pressão) e turbocompressor de geometria variável, capaz de debitar 150 cv/5500 rpm e 220 Nm/2400-4200 rpm; por um motor elétrico com 130 cv e 95 Nm, que funciona exclusivamente como gerador; por um motor elétrico com 177 cv e 300 Nm, montado junto ao eixo dianteiro; por uma bateria de “alta tensão” com 1,83 Wh de capacidade, valor invulgarmente elevado para uma solução deste género; e por uma caixa de velocidades DHT com engrenagens planetárias.
Descodificando, com uma potência combinada de 204 cv, o grupo motopropulsor funciona, as mais das vezes, em modo totalmente elétrico (segundo a KGM, mais de 90% do tempo em meio urbano), assegurado pelo mais potente dos motores elétricos, daí avindo vantagens de todos conhecidas, mormente um reduzido consumo de gasolina, um elevado silêncio de funcionamento, ou uma resposta pronta e intensa às solicitações do acelerador assegurada pelo generoso binário instantâneo. Quanto ao motor a gasolina, por regra, funciona enquanto gerador de alta eficiência, entregando energia aos motores elétricos e à bateria, embora também possa, a velocidades mais elevadas, típicas de autoestrada, ou caso as solicitações mais intensas assim o exijam, fornecer potência diretamente às rodas, nessa tarefa trabalhando em conjunto com o motor elétrico de tração. Estado a gestão de tudo isto a cargo da transmissão DHT, capaz de alternar, automaticamente, entre nove modos diferentes de operação – e se o funcionamento do conjunto não é fácil de explicar em poucas palavras, bastante mais simples, e ilustrativo, é acompanhar, em tempo real, o seu desempenho através do diagrama de fluxo de energia existente no painel de instrumentos.






Ainda no capítulo dinâmico, refiram-se os três níveis de intensidade da regeneração de energia em desaceleração selecionáveis pelo condutor; os 0-100 km/h cumpridos em 9,4 segundos; a velocidade máxima de 175 km/h; e o consumo de 5,9 l/100 km, e as emissões de CO2 de 134 g/km, anunciados pelo Actyon HEV no ciclo combinado WLTP. Merecendo, de igual modo, menção as suspensões independentes nas quatro rodas (do tipo MacPherson na frente, e multilink atrás), dotadas de amortecedores que ajustam a sua resposta em função da frequência da própria suspensão, com vista a melhorar o controlo dos movimentos da carroçaria, em particular sobre piso irregular, de um automóvel que na balança acusa uns substantivos 1725 kg.
Em Portugal, e sempre equipado com a supracitada motorização híbrida, o mais recente membro da família KGM é proposto em duas versões, KGM Actyon HEV K3 e KGM Actyon HEV K5, que apenas se distinguem pelo equipamento que cada qual oferece de série. A mais acessível é proposta por €37 990 (€35 990 para quem recorra ao financiamento da marca, enquanto durar a campanha de lançamento), a mais dotada por €39 990 (€37 990 com ao financiamento da marca), sendo a garantia geral de 5 anos ou 1000 000 km.
Em qualquer dos casos, a par do habitual a este nível, estão incluídos airbag para os joelhos do condutor; alarme; cruise control adaptativo; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, e câmara de estacionamento traseira; ar condicionado automático bizona; retrovisor interior electrocromático; sensores de luz e de chuva; travão de estacionamento elétrico; ligações Apple CarPlay e Android Auto; duas tomadas USB-C traseiras; carregador por indução para smartphones; bancos em pele (reguláveis eletricamente, ventilados e aquecidos na frente); baco traseiro aquecido. Ao que a derivação de topo adiciona sistema de monotorização do ângulo morto; alerta de colisão em mudança de faixa de rodagem; alerta de tráfego cruzado pela taseira; portão traseiro de operação elétrica, com sensor de pé para abertura e fecho “mãos-livres”; e acesso e arranque sem chave.














