A importância do mercado automóvel indiano para o êxito do “Internacional Game Plan”, programa estratégico de expansão global da Renault, torna-se óbvio quando constatamos que é o terceiro maior do mundo, sendo superado apenas pelo chinês e pelo norte-americano. E o Duster, lançado na Índia em 2012, depressa ganhou protagonismo num segmento que representa, atualmente, 14% das vendas de automóveis novos – desde o lançamento, o modelo soma mais de 200 000 unidades entregues a clientes.
Por isso, não é estranhar que o Duster – na Europa, apresenta-se com o logótipo de origem, da Dacia, marca romena propriedade do Grupo Renault – seja um dos pilares da estratégia de crescimento internacional da marca do losango. A nova geração, agora apresentada, será fabricada localmente, em Chennai, numa unidade que integra o grupo de cinco hubs de produção que o consórcio detém fora do Velho Continente. O complexo foi inaugurado em 2008, e, deste então, produziu mais de três milhões de automíveis, e 4,5 milhões de motores e caixas de velocidades, também saindo das suas linhas de montagem o Triber e o Kiger, ambos apresentados em 2025.
O novo Renault Duster, estilisticamente, conta com diferenças claras para o modelo produzido, e vendido na Europa pela Dacia. Uma delas é a grelha dianteira, com o símbolo “DC” a ser substituído pela designação do modelo. O desenho dos para-choques também é distinto, assumindo formas mais robustas, e, na traseira, destaca-se, por exemplo, a iluminação a toda a largura da carroçaria, estando os farolins unidos por elemento central com acabamento em preto.
Em termos de dimensões, o Duster posiciona-se no segmento dos SUV compactos B+, por medir 4,35 m de comprimento, 1,81 m de largura, 1,66 m de altura e 2,66 m entre eixos – aproxima-se muito do tamanho do modelo europeu. O estilo aventureiro é assegurado por barras de tejadilho, proteções plásticas da carroçaria, e placas de proteção inferiores, que complementam os 21,2 cm de altura ao solo.






Segundo a Renault, o visual robusto é acompanhado de uma capacidade real para enfrentar terrenos mais desafiantes, com ângulos de ataque e de saída de 25,7° e 29,2º, respetivamente. A rigidez estrutural foi melhorada, e o motor também conta com uma proteção inferior, útil sempre que os pisos são mais acidentados, e escondem algumas “armadilhas”. As jantes podem ser de 17’’ ou 18’’, e existem seis cores para a carroçaria, nomeadamente a “Jade Mountain Green”, inspirada nos tons da floresta himalaia, que é nova.
O habitáculo do Duster também foi totalmente reinterpretado, destacando-se, por exemplo, a integração dos dois monitores do sistema OpenR, um para o painel de instrumentos, com até 10,25” (apenas 7” nas versões menos equipadas), outro, ao centro, tátil, para o sistema de infoentretenimento com serviços Google integrados. Numa futura atualização, será integrado o assistente de inteligência artificial Gemini, em substituição do Google Assistant. O tablier é diferente do conhecido do modelo comercializado em território europeu, com uma apresentação “mais Renault”, e acabamentos e materiais de nível superior.
No que respeita ao conforto a bordo, o Duster indiano disponibiliza ar condicionado automático bizona, com filtro de partículas e sistema de ionização do ar. Nesta evolução, atenção especial à insonorização, com menos ruídos do motor e do rolamento no habitáculo. Em termos de espaço no banco traseiro, e com uma distância entre eixos equivalente à do modelo europeu, será suficiente para dois passageiros adultos, os quais podem ainda beneficiar da luz natural assegurada pelo tejadilho panorâmico de grandes dimensões. A bagageira tem 518 litros de capacidade.









Baseado na plataforma modular CMF-B, que partilha com Kardian e Boreal, o novo Duster, poucos meses após a estreia no mercado indiano, receberá a motorização híbrida E-Tech 160, que associa uma mecânica 1.8 a gasolina a um par de motores elétricas, e à transmissão multimodo da Renault. Anunciam-se 160 cv, e até menos 40% de consumo (80% em ambiente urbano), comparativamente a um motor equivalente não eletrificado. No entanto, no arranque da comercialização, marcarão presença na gama o 1.0 TCe a gasolina de 100 cv/160 Nm, apoiado por caixa manual de seis velocidades, e o 1.3 TCe com 160 cv/280 Nm, ao qual está também acoplada uma caixa manual de seis relações (em opção, caixa plotada de dupla embraiagem e seis velocidades). A marca também confirma a intenção de produzir a motorização híbrida na Índia.
Em termos de segurança e de tecnologias de assistência à condução, capítulo de grande relevância num mercado com elevados índices de sinistralidade, o Duster apresenta-se equipado com 17 sistemas, destacando-se, por exemplo, o cruise control adaptativo, o assistente de manutenção na faixa de rodagem, a câmara panorâmica a 360°, e a travagem automática de emergência. O novo Renault tem estreia na Índia programada para a primavera, para satisfazer o aumento na procura por SUV naquele país, que mais do que quadruplicou em pouco mais de uma década. Depois, o modelo será introduzido na África do Sul e em mercados selecionados do Médio Oriente, nomeadamente na região do Golfo Pérsico, para reforçar a oferta internacional do Grupo Renault nestas regiões, condição para suportar a ambição de repetir, em 2026, o crescimento de 11% registado fora da Europa em 2025.








