A corrida pela autonomia deixou de ser a única prioridade no mundo dos veículos elétricos. À medida que as baterias evoluem e as autonomias ultrapassam, cada vez mais, os 400 ou 500 quilómetros, o verdadeiro desafio passa agora por reduzir drasticamente os tempos de carregamento. E foi precisamente isso que a CATL acaba de apresentar. A gigante chinesa das baterias revelou a nova Tectrans II, uma tecnologia desenvolvida especificamente para veículos comerciais ligeiros elétricos que promete recuperar dos 20 aos 80% da carga em apenas 6 minutos e 48 segundos. Na prática, significa que uma carrinha de entregas poderá voltar praticamente à estrada no tempo de uma curta pausa para um café.
Uma bateria pensada para quem vive na estrada
Ao contrário das soluções direcionadas aos automóveis de passageiros, a nova bateria da CATL foi concebida para responder às exigências das empresas que dependem diariamente dos seus veículos. Frotas de distribuição, empresas de logística, serviços técnicos ou transportes urbanos percorrem milhares de quilómetros por ano e, para estes profissionais, cada minuto parado representa dinheiro perdido. É precisamente por isso que a CATL anuncia uma garantia que impressiona: 10 anos ou um milhão de quilómetros. Mais do que um número para impressionar investidores, trata-se de um argumento que pode alterar a forma como muitas empresas olham para a eletrificação das suas frotas.
Carregamentos ultrarrápidos sem comprometer a durabilidade
A nova Tectrans II estreia uma taxa de carregamento 8C, um valor praticamente inédito neste segmento. Traduzido para a prática, significa que a bateria é capaz de suportar potências de carregamento extremamente elevadas, permitindo recuperar 60% da capacidade em menos de sete minutos e completar uma carga praticamente total em cerca de nove minutos. Um avanço que aproxima cada vez mais os tempos de abastecimento dos veículos elétricos da experiência de encher um depósito de combustível. Naturalmente, estes números foram obtidos em ambiente de laboratório e dependerão sempre da infraestrutura disponível, da temperatura da bateria e das condições de utilização. Ainda assim, representam um salto tecnológico significativo.
Mais resistente ao desgaste e às temperaturas extremas
A rapidez de carregamento costuma levantar uma questão inevitável: a degradação da bateria. Segundo a CATL, foi precisamente esse um dos focos do desenvolvimento da nova tecnologia.
O fabricante afirma ter reduzido para metade a resistência interna das células face à média da indústria, diminuindo o aquecimento durante carregamentos rápidos sucessivos. Paralelamente, introduziu uma nova estrutura para os materiais de grafite, concebida para reduzir a perda de lítio ao longo da vida útil da bateria.
O resultado, garante a empresa, é uma bateria capaz de suportar milhares de ciclos de carga mantendo um elevado nível de desempenho.
A marca chinesa destaca ainda o comportamento em temperaturas negativas. Mesmo a -20 ºC, a bateria necessitaria de apenas mais alguns minutos para completar um carregamento rápido, graças ao sistema inteligente de pré-aquecimento das células.
O desafio já não está na bateria… mas na infraestrutura
Por muito impressionantes que sejam as especificações da Tectrans II, existe um obstáculo que continua por ultrapassar: a rede de carregamento.
Uma bateria capaz de carregar em menos de sete minutos só revela todo o seu potencial se existirem postos capazes de fornecer essa potência.
A pensar nisso, a CATL anunciou um ambicioso plano para a China, que prevê a instalação de cerca de 4.000 estações equipadas com carregamento ultrarrápido e sistemas de troca de baterias, adaptadas tanto a automóveis como a veículos comerciais.
Para já, a tecnologia está direcionada para o mercado chinês, mas a história recente mostra que as inovações desenvolvidas naquele país acabam, mais cedo ou mais tarde, por chegar à Europa.
O futuro dos comerciais elétricos pode estar mais próximo do que parece
Durante anos, a principal crítica aos veículos comerciais elétricos foi a autonomia e, sobretudo, o tempo necessário para os recarregar.
Se a CATL conseguir levar para a produção aquilo que agora promete no papel, o paradigma poderá mudar rapidamente.
Uma bateria que dura até um milhão de quilómetros e recupera a maior parte da carga em menos de sete minutos pode representar exatamente o impulso que muitas empresas aguardavam para acelerar a transição das suas frotas para a mobilidade elétrica.
Porque, no final, o futuro dos veículos comerciais poderá deixar de depender da autonomia… e passar a depender apenas do tempo que demora a tomar um café.
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