Durante anos, os entusiastas da Ferrari pediram o regresso da caixa manual. Agora, a marca italiana parece ter encontrado uma forma de responder a esse desejo, mas de uma maneira muito diferente daquela que muitos imaginavam. O protagonista chama-se 12Cilindri Manuale e, à primeira vista, parece recuperar tudo aquilo que os puristas tanto apreciam: três pedais, uma alavanca de velocidades com a clássica grelha metálica e um enorme botão em alumínio no topo. Contudo, a realidade é bem mais tecnológica.

Uma caixa manual… sem ligação mecânica
Apesar da aparência clássica, o sistema desenvolvido pela Ferrari não possui qualquer ligação física entre a alavanca, o pedal da embraiagem e a caixa de velocidades. Batizado de Manuale By-Wire, este sistema utiliza sensores eletrónicos para interpretar todos os movimentos do condutor. Sempre que o pedal da embraiagem é pressionado ou a alavanca é movimentada, os comandos são enviados eletronicamente para a transmissão automática de dupla embraiagem de oito velocidades. Na prática, o condutor sente que está a conduzir um Ferrari com caixa manual, mas é a eletrónica que faz todo o trabalho.

A experiência foi levada ao extremo
Segundo a Ferrari, o objetivo não era apenas reproduzir o aspeto de uma caixa manual, mas também recriar todas as sensações de condução. Para isso, a marca desenvolveu um sistema capaz de simular o peso da alavanca, a resistência das engrenagens e até os erros do condutor. Caso a embraiagem seja libertada demasiado depressa, o sistema consegue mesmo simular um arranque brusco ou até deixar o motor “ir abaixo”, tal como aconteceria num automóvel equipado com uma verdadeira caixa manual. Ao mesmo tempo, a eletrónica impede reduções de caixa que possam comprometer o motor, protegendo toda a mecânica.

Manual quando se quer… automático quando é preciso
Embora o condutor utilize apenas seis relações através da alavanca, a transmissão continua a ser a conhecida caixa automática de dupla embraiagem utilizada no 12Cilindri. Isto significa que as sétima e oitava velocidades continuam a ser geridas automaticamente, assim como o sistema Launch Control. Existe ainda um modo totalmente automático, permitindo alternar entre uma experiência de condução mais tradicional e a comodidade de uma caixa automática.

O V12 continua intacto
Apesar da novidade na transmissão, a mecânica mantém-se inalterada. Debaixo do capot continua a estar o impressionante V12 atmosférico de 6,5 litros, com 819 CV e 678 Nm de binário, capaz de atingir as 9.500 rpm.
As prestações também não mudam: aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,9 segundos, menos de 7,9 segundos até aos 200 km/h e uma velocidade máxima superior a 340 km/h.
Um regresso diferente ao passado
Se este sistema chegasse efetivamente à produção, seria uma abordagem completamente diferente ao conceito de caixa manual. Em vez de recuperar uma solução mecânica tradicional, a Ferrari optaria por utilizar a tecnologia para recriar as sensações que muitos condutores continuam a procurar, sem abdicar da rapidez e da eficiência das transmissões modernas.

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