Toyota leva Hilux a hidrogénio ao Dakar 2027
O essencial
- Toyota leva Hilux com pilha de combustível a hidrogénio ao Dakar 2027 na categoria experimental Mission 1000.
- O protótipo DKR GR FC Hilux usa hidrogénio para produzir eletricidade e alimentar motores elétricos.
- A participação inclui 13 etapas e cerca de 1.000 quilómetros de competição em percurso específico.
A Toyota vai levar ao Dakar 2027 uma versão experimental da Hilux equipada com tecnologia de pilha de combustível a hidrogénio. O objetivo é testar a solução numa das provas mais exigentes do mundo e avaliar a sua aplicação futura no desporto automóvel.
A Toyota prepara uma Hilux muito diferente para o Dakar 2027. A marca japonesa vai participar na categoria experimental Mission 1000, com um protótipo equipado com tecnologia de pilha de combustível a hidrogénio (FCEV).
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Batizado DKR GR FC Hilux, o protótipo está a ser desenvolvido pela Toyota GAZOO Racing e terá como base a Hilux de competição utilizada pela marca no Dakar. Ao contrário do modelo convencional, equipado com um motor V6 biturbo a gasolina, esta versão utiliza hidrogénio para produzir eletricidade e alimentar os motores elétricos.

A participação está prevista para decorrer ao longo de 13 etapas e cerca de 1.000 quilómetros de competição, num percurso específico da Mission 1000, que acompanha apenas parcialmente o traçado principal do Dakar.
Hidrogénio em vez de gasolina
Hidrogénio em vez de gasolina
O funcionamento da tecnologia FCEV é relativamente simples: o hidrogénio armazenado a bordo reage com o oxigénio do ar numa pilha de combustível, produzindo eletricidade para alimentar o sistema de propulsão.
A reação não gera emissões de CO₂ pelo sistema de escape, tendo como principal emissão local vapor de água.
Para a Toyota, o Dakar será sobretudo um laboratório. A marca está a trabalhar na redução das dimensões da pilha de combustível, na melhoria do sistema de refrigeração e no aumento da fiabilidade dos componentes.
São desafios particularmente importantes numa competição como o Dakar, onde calor, areia, poeiras e vibrações submetem os veículos a condições extremas.
Ainda há muitos dados por revelar
Ainda há muitos dados por revelar
A Toyota ainda não divulgou as especificações definitivas da DKR GR FC Hilux. Permanecem por conhecer, entre outros dados, a potência dos motores elétricos, a capacidade de armazenamento de hidrogénio, a autonomia e o peso final do protótipo.
Também ainda não foram anunciados os pilotos que estarão ao volante.

O projeto conta com quatro parceiros oficiais: Jameel Motorsport, DENSO, TOYO TIRES e IAV. O desenvolvimento está a cargo do centro europeu de investigação e desenvolvimento da Toyota, localizado perto de Bruxelas, na Bélgica, estando prevista a montagem final na Europa e um extenso programa de testes antes do Dakar.
Uma Hilux experimental no Dakar
Uma Hilux experimental no Dakar
A DKR GR FC Hilux não irá competir na categoria principal Ultimate. A Toyota escolheu a Mission 1000, criada para permitir a participação de veículos experimentais com diferentes tecnologias de propulsão, incluindo soluções elétricas, híbridas e a hidrogénio.
Em 2027, a categoria terá também uma componente mais competitiva, com provas de velocidade, classificações diárias e penalizações associadas ao cumprimento dos percursos.
Mais importante para os fabricantes, um dos projetos participantes poderá vir a ser selecionado para disputar o Dakar 2028, com condições regulamentares específicas.
Para a Toyota, será mais uma oportunidade de levar o hidrogénio ao limite. A marca já tem experiência em competição com motores de combustão alimentados a hidrogénio, mas o Dakar 2027 marcará a sua primeira utilização conjunta de hidrogénio e tecnologia de pilha de combustível numa competição automóvel.
A Hilux a hidrogénio será, por isso, muito mais do que um protótipo de competição: será um verdadeiro teste de resistência para uma tecnologia que a Toyota continua a desenvolver como alternativa às soluções elétricas convencionais.
AutoGear · 455 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.