Jaguar Land Rover corta 4 000 empregos para sobreviver à crise
O essencial
- Jaguar Land Rover vai eliminar 4 000 postos de trabalho no Reino Unido, afectando 12% dos seus 33 000 trabalhadores.
- Os lucros caíram 69% no último trimestre, enquanto o volume de negócios caiu 10%.
- A JLR quer reduzir o seu limiar de rentabilidade para cerca de 300 000 automóveis por ano.
- A poupança esperada é de aproximadamente 1,7 mil milhões de libras em dois anos.
Lucros caem drasticamente
O grupo britânico enfrenta uma forte quebra dos lucros e das vendas e quer reduzir custos para conseguir ser rentável mesmo produzindo menos automóveis
A Jaguar Land Rover (JLR) atravessa uma das fases mais difíceis da sua história. O grupo britânico, proprietário das marcas Jaguar e Land Rover, prepara-se para eliminar 4 000 postos de trabalho no Reino Unido, num plano de reestruturação destinado a reduzir custos e adaptar a empresa a um mercado cada vez mais competitivo.
A medida afecta cerca de 12% dos 33 000 trabalhadores que a JLR emprega no país e deverá ser concretizada sobretudo através de saídas voluntárias.
Lucros caem 69%
A decisão surge depois de uma forte deterioração dos resultados. No último trimestre, o volume de negócios da JLR caiu 10%, enquanto o lucro líquido sofreu uma quebra muito mais significativa, de 69%, para apenas 109 milhões de libras.

A empresa está a ser pressionada por vários factores, desde a desaceleração do mercado chinês até às incertezas relacionadas com as tarifas comerciais nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a concorrência das marcas chinesas está a aumentar, sobretudo no segmento dos veículos eléctricos. Perante este cenário, a JLR pretende tornar-se uma empresa mais pequena e flexível.
Produzir menos para ganhar mais
Reduzir volume para ganhar mais
Um dos principais objectivos da reestruturação é reduzir o volume necessário para atingir a rentabilidade. A JLR quer baixar o seu limiar de rentabilidade para cerca de 300 000 automóveis por ano.
A estratégia poderá permitir uma poupança de aproximadamente 1,7 mil milhões de libras em dois anos, ajudando o grupo a resistir melhor às oscilações dos diferentes mercados.
A situação é particularmente delicada na Jaguar. A marca está a atravessar uma profunda transformação e, neste momento, encontra-se praticamente entre duas gerações de produtos, enquanto prepara a sua nova ofensiva eléctrica.
Land Rover também enfrenta dificuldades
A Land Rover continua a ser a principal força do grupo, mas também não está imune aos problemas.
A marca prepara novos modelos eléctricos, incluindo o primeiro Range Rover 100% eléctrico, mas terá de convencer uma clientela tradicional num mercado onde surgem cada vez mais alternativas.
A concorrência chinesa é particularmente forte neste campo, oferecendo SUV eléctricos e híbridos com preços mais competitivos. Ao mesmo tempo, fabricantes premium europeus como Volvo e Mercedes também estão a reforçar a oferta eléctrica.
Um futuro que passa pela Jaguar
A aposta na Jaguar eléctrica
A grande aposta da JLR continua a ser a transformação da Jaguar numa marca eléctrica e mais exclusiva. É uma estratégia ambiciosa, mas envolve riscos: a empresa terá de atravessar um período de transição com uma gama reduzida e sem a habitual capacidade de vendas.
Depois de anos em que o grupo apostou no crescimento, a prioridade mudou radicalmente.
Agora, a Jaguar Land Rover quer produzir menos, gastar menos e ganhar mais. Os próximos anos vão mostrar se esta estratégia será suficiente para recuperar duas das marcas britânicas mais conhecidas do mundo.
AutoGear · 391 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.