Polestar mostra o carro do futuro enquanto luta para sobreviver no presente
O essencial
- O conceito Formula 2030 antecipa os próximos modelos da Polestar, incluindo o Polestar 2 em 2027 e o Polestar 7.
- A Polestar registou um prejuízo de 842 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, embora 29% melhor que 2025.
- A marca abandona progressivamente o mercado norte-americano após falhar na autorização de modelos de 2027 por razões de tecnologia conectada.
O conceito Formula 2030 e a visão futura
O novo conceito Formula 2030 antecipa os próximos modelos da marca, mas a Polestar continua a enfrentar prejuízos, queda nas vendas e problemas no mercado norte-americano
A Polestar olha para 2030 com um novo conceito futurista, mas a realidade financeira da marca está bem menos animadora. O Formula 2030 pretende mostrar a direcção que a fabricante pretende seguir nos próximos anos, numa altura em que os investidores começam a questionar a capacidade da empresa para concretizar esses planos.
Criado sob a liderança do novo director de design, Philipp Römers, o conceito apresenta uma linguagem mais radical, mas mantém a filosofia minimalista escandinava que caracteriza a Polestar. A marca promete revelar o modelo por completo ainda este ano.
Um olhar sobre os próximos Polestar
O Formula 2030 deverá antecipar algumas das soluções que veremos nos futuros modelos da marca, incluindo o próximo Polestar 2, previsto para 2027, e o futuro Polestar 7.
A única imagem divulgada até agora mostra um automóvel bastante baixo, com uma solução curiosa para o limpa-pára-brisas, inspirado no mundo da competição. Elementos como os faróis Dual Blade deverão continuar a fazer parte da identidade visual da marca.
Prejuízos de 842 milhões de dólares
Crises financeiras e quedas nas vendas
Enquanto prepara o futuro, a Polestar enfrenta dificuldades no presente.
No primeiro semestre de 2026, as vendas cresceram apenas 0,4%, enquanto a receita caiu 4,4%, para 1,4 mil milhões de dólares. A empresa registou ainda um prejuízo de 842 milhões de dólares, embora este valor represente uma melhoria de 29% face ao mesmo período de 2025.
A situação teve impacto imediato nos mercados: as acções da Polestar chegaram a cair 29,4% após a divulgação dos resultados.
O problema dos Estados Unidos
Dificuldades no mercado norte-americano
A situação é particularmente complicada no mercado norte-americano. A Polestar está a abandonar progressivamente os EUA depois de não conseguir autorização para comercializar os seus modelos de 2027 devido às regras relativas a veículos conectados e à tecnologia associada à China.
A decisão é ainda mais complicada porque o Polestar 3 partilha componentes, software e produção na Carolina do Sul com o Volvo EX90, enquanto a Volvo conseguiu obter uma isenção.
Apesar das dificuldades, a marca continua a apostar no lançamento de novos produtos, com o Polestar 4 a assumir um papel importante na renovação da gama.
Um futuro bonito, mas ainda incerto
O Formula 2030 mostra que a Polestar tem ambição e ideias para os próximos anos. O problema é saber se terá capacidade financeira para transformar esses conceitos em realidade.
O futuro da Polestar parece interessante. O desafio será chegar até lá.
AutoGear · 391 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.