BMW iX3 custa menos 30 mil euros na China. A explicação está, em grande parte, na bateria

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O BMW iX3 pode custar na China quase metade do preço praticado na Europa. A diferença não se explica apenas pelos custos de produção: a química da bateria e as especificidades do mercado chinês têm um papel decisivo.

As diferenças de preço entre automóveis vendidos na China e na Europa não são propriamente uma novidade. Custos de produção mais baixos, uma concorrência feroz entre fabricantes, redes de distribuição diferentes e uma política comercial bastante agressiva ajudam a explicar por que razão determinados modelos podem ser significativamente mais baratos no mercado chinês.

No entanto, no caso do novo BMW iX3, há outro fator particularmente importante: a bateria.

Na China, o SUV elétrico da BMW é produzido localmente, na fábrica de Shenyang, através da parceria entre a BMW e a Brilliance Automotive. Além disso, a versão destinada ao mercado chinês recorre a baterias de tecnologia diferente daquela utilizada no modelo europeu. E a diferença de preço é impressionante.

Uma diferença que ultrapassa os 30 mil euros

Na China, o BMW iX3 pode ser adquirido por cerca de 34 400 euros, enquanto em França o preço de entrada ronda os 64 950 euros. Na versão eDrive50, a diferença mantém-se: o modelo chinês custa pouco mais de 42 000 euros, contra 72 950 euros para a mesma designação na Europa. Ou seja, estamos perante uma diferença que pode ultrapassar os 30 mil euros.

Naturalmente, os custos de fabrico na China ajudam a reduzir o preço final. Mas há uma diferença técnica fundamental entre os dois modelos: a bateria.

O iX3 vendido na China utiliza baterias LFP (fosfato de ferro-lítio), enquanto o modelo europeu recorre à tecnologia NMC (níquel-manganês-cobalto).

As baterias LFP apresentam custos de produção inferiores e algumas vantagens em termos de durabilidade e utilização, embora tenham, em regra, menor densidade energética. As baterias NMC, por outro lado, permitem obter uma maior densidade energética e são particularmente interessantes quando o objetivo passa por maximizar a autonomia.

Três baterias diferentes para o iX3 chinês

A BMW oferece no mercado chinês três capacidades de bateria LFP para o iX3: 77, 86,9 e 113,4 kWh. É precisamente esta última que equipa a versão mais potente, permitindo ao iX3 chinês anunciar uma autonomia de 919 quilómetros segundo o ciclo de homologação chinês.

É importante, contudo, não comparar diretamente este valor com os números europeus. Os ciclos de homologação utilizados na China e na Europa são diferentes e, na prática, os 919 km anunciados não correspondem a 919 km WLTP.

Ainda assim, aplicando uma redução aproximada de 25%, chegaríamos a cerca de 690 km, um valor que colocaria o iX3 chinês bastante próximo do modelo europeu em termos de autonomia anunciada.

Ou seja, apesar de utilizar uma bateria LFP, mais económica, o modelo chinês não fica necessariamente muito atrás do europeu neste capítulo.

O mercado chinês tem outras prioridades

A diferença não está apenas na bateria. O iX3 vendido na China é fabricado localmente e foi desenvolvido tendo em conta as particularidades daquele mercado.

Tal como acontece com muitos modelos vendidos na China, existe uma versão com distância entre eixos alongada, oferecendo mais espaço para os passageiros traseiros. Esta característica é particularmente valorizada pelos consumidores chineses.

Além disso, o preço e a tecnologia assumem um peso enorme na decisão de compra. O mercado chinês de automóveis elétricos é extremamente competitivo, obrigando os fabricantes a oferecer cada vez mais equipamento e tecnologia por preços mais baixos.

Na Europa, pelo contrário, a autonomia continua a ser um dos principais argumentos de venda dos automóveis elétricos. E a BMW posiciona o iX3 europeu num patamar mais elevado, com uma bateria NMC que privilegia a densidade energética e a autonomia.