A aventura da Dreame no mundo automóvel pode estar perto do fim. A fabricante chinesa conhecida sobretudo pelos seus aspiradores terá decidido abandonar o projeto automóvel, cerca de um ano depois de anunciar planos ambiciosos para entrar num dos setores mais competitivos da indústria.
A informação, avançada por meios de comunicação chineses e baseada em alegadas declarações de antigos funcionários, surge depois de uma sucessão de apresentações bastante polémicas. A Dreame chegou a prometer supercarros com desempenhos extremos, conceitos com propulsão a jato e até modelos cujo design levantou comparações pouco favoráveis com alguns dos automóveis de luxo mais conhecidos do mundo. Tudo indica agora que a empresa poderá regressar ao negócio que realmente conhece.

Uma entrada polémica no mundo automóvel
A Dreame apresentou os seus planos para entrar no setor automóvel em agosto de 2025. Desde o início, a empresa chamou a atenção não apenas pelas promessas de desempenho, mas também pelo desenho dos primeiros modelos.
O primeiro automóvel apresentado em imagens era um coupé de quatro portas com uma aparência muito semelhante à do Bugatti Chiron. Pouco depois, a empresa mostrou um SUV que também foi acusado de apresentar demasiadas semelhanças com o Rolls-Royce Cullinan.
A marca criou entretanto uma divisão automóvel denominada Starry Sky, através da qual começou a desenvolver projetos próprios e conceitos cada vez mais ambiciosos.
No início de 2026 surgiu na CES um protótipo físico de um supercarro, o Nebula Next 01. Em março foi apresentado um SUV associado ao projeto e, em abril, a Dreame foi ainda mais longe com o Nebula Next 01 Jet Edition.
Este último conceito era particularmente extravagante: utilizava propulsão a jato e a empresa chegou a afirmar que poderia acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 0,9 segundos.

As promessas começaram a levantar dúvidas
Os números anunciados pela Dreame eram suficientemente impressionantes para gerar dúvidas sobre a sua concretização. E, segundo informações agora divulgadas na China, algumas das apresentações poderão ter sido mais elaboradas do que inicialmente parecia.
Antigos funcionários terão revelado que o protótipo apresentado na CES não tinha um chassis adequado para circular por meios próprios e que precisava de ser movimentado remotamente.
Também existem alegações de que o chamado «Rocket Car» terá sido adquirido a uma empresa especializada na construção de modelos e posteriormente modificado com um chassis e sistemas de propulsão para criar um protótipo capaz de impressionar durante as apresentações.
Estas informações não significam necessariamente que todos os projetos automóveis da Dreame fossem fictícios, mas ajudam a explicar as dúvidas que surgiram em torno das promessas da empresa.

De cerca de mil funcionários para apenas algumas dezenas
O projeto automóvel parece agora estar a ser desmantelado. Segundo as informações divulgadas na China, a equipa dedicada ao desenvolvimento automóvel chegou a contar com cerca de mil pessoas, mas terá sido reduzida a apenas algumas dezenas de funcionários.
Esses trabalhadores terão agora como principal missão encerrar as atividades relacionadas com o projeto.
A situação poderá também estar relacionada com um maior escrutínio das autoridades chinesas sobre o financiamento de investimentos, o que terá complicado ainda mais a continuidade do projeto.
Dreame deverá voltar ao negócio original
Com o abandono da aventura automóvel, a Dreame deverá concentrar novamente os seus recursos nas áreas onde já possui experiência. A empresa continuará ligada a produtos como aspiradores, robôs, cortadores de relva robotizados e veículos elétricos de duas rodas, além de outras soluções tecnológicas.
A história da Dreame no setor automóvel acaba, assim, por ser bastante curta. Em apenas um ano, a empresa passou de promessas de supercarros capazes de rivalizar com alguns dos modelos mais rápidos do mundo para um projeto que poderá nem sequer chegar a produzir um único automóvel para clientes.
Por enquanto, a informação sobre o abandono do negócio baseia-se em relatos provenientes da China e em declarações atribuídas a antigos funcionários. A Dreame não terá apresentado, pelo menos segundo o material que serve de base a esta notícia, uma confirmação oficial detalhada sobre o encerramento da sua divisão automóvel.

