O calor está a apertar: Hungria começa a limitar carregamento dos carros elétricos

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A onda de calor que está a atingir a Europa Central está a provocar uma consequência que, há poucos anos, seria difícil de imaginar: a Hungria começou a limitar a potência de vários carregadores rápidos para carros elétricos.

O motivo não está nos automóveis, mas na própria rede elétrica. As temperaturas extremamente elevadas, a redução dos caudais dos rios e as dificuldades sentidas na produção de eletricidade estão a colocar uma pressão enorme sobre o sistema energético húngaro. E os carros elétricos acabaram por entrar diretamente nesta equação.

Vários operadores de carregamento já começaram a reduzir temporariamente a potência das suas estações durante as horas de maior consumo. A MOL Plugee, por exemplo, baixou a potência dos seus carregadores de 150 para 100 kW entre as 17h00 e as 22h00.

A E.ON Drive foi ainda mais longe em algumas localizações, aplicando reduções de 50% em estações que podem atingir 300 kW. Segundo a empresa, esta medida permite libertar até 10 MW de potência da rede, o equivalente ao consumo simultâneo de cerca de 2.000 casas.

Também a Shell está a limitar a potência dos seus carregadores, neste caso durante um período ainda maior, entre as 16h00 e as 22h00. Algumas estações chegaram mesmo a ser temporariamente desligadas. E depois há quem tenha escolhido uma estratégia diferente.

A EV.app aumentou o preço do carregamento para 1,16 euros por kWh, um valor que representa um aumento de aproximadamente 40 a 60% face a muitas das tarifas habituais de carregamento rápido na Hungria. A ideia é simples: tornar o carregamento mais caro para incentivar os condutores a esperar por períodos de menor procura.

Ou seja, em vez de simplesmente dizer ao proprietário de um elétrico para não carregar, algumas empresas estão a tentar fazê-lo através da carteira. A situação energética da Hungria está diretamente relacionada com a onda de calor que tem afetado a região.

As temperaturas elevadas contribuíram para uma redução significativa dos caudais de rios importantes, incluindo o Danúbio, e isso é particularmente problemático para a produção de eletricidade.

A água dos rios desempenha um papel fundamental no arrefecimento de algumas centrais elétricas, incluindo centrais nucleares. Quando a temperatura da água sobe demasiado ou o caudal diminui, a capacidade de arrefecimento fica comprometida.

É aqui que entra Paks, a única central nuclear da Hungria e responsável por uma parte muito significativa da eletricidade produzida no país.

A central chegou a ser obrigada a reduzir a produção e, em determinados momentos, a interromper temporariamente o funcionamento de unidades. É uma situação particularmente invulgar para uma instalação que opera há décadas. E o problema não é exclusivamente húngaro.

Na vizinha Roménia, as dificuldades energéticas provocadas pelo calor também já levaram a medidas extraordinárias, incluindo pedidos para limitar temporariamente a atividade de algumas instalações industriais. No fundo, estamos perante um problema que vai muito além dos carros elétricos.

Quanto maior for a procura de eletricidade e mais difícil for produzi-la em períodos de calor extremo, maior será a necessidade de controlar onde e quando essa energia é consumida. E os carregadores rápidos são um alvo óbvio.

Um posto capaz de entregar várias centenas de quilowatts a um automóvel pode representar uma carga bastante significativa para a rede, especialmente quando milhares de consumidores estão simultaneamente a utilizar ar condicionado e outros equipamentos para combater as temperaturas elevadas.

Hoje são reduções temporárias de potência. Amanhã poderão existir tarifas mais caras nas horas de maior procura, carregamentos condicionados ou sistemas que escolham automaticamente o melhor momento para carregar o automóvel.

Porque a eletrificação do automóvel resolve uma parte importante do problema das emissões, mas cria uma necessidade igualmente importante: ter uma rede elétrica suficientemente forte e resiliente para alimentar milhões de carros.

E a atual situação na Europa Central é um pequeno aviso de que essa transição não depende apenas dos fabricantes de automóveis. Também depende da eletricidade estar lá quando precisamos dela.

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